Parauapebas vive um paradoxo vergonhoso: enquanto a gestão do prefeito Aurélio Goiano celebra “avanços” e operações de tapa-buraco nas redes sociais, a cidade segue afundada em buracos, lama e descaso com a população. Agora, um grupo de vereadores resolveu agir e cobra transparência.
Em vídeo publicado pela vereadora Érica Ribeiro (PSDB), em colaboração com outros parlamentares, o apelo é direto: falta apenas uma assinatura para instalar a CPI da Infraestrutura. Até o momento, cinco vereadores já assinaram o requerimento:
• Fred Sanção (PL)
• Érica Ribeiro (PSDB)
• Zé do Bode (União Brasil)
• Maquivalda Barros (PDT)
• Anderson Moratório (PRD) — presidente da Câmara
“Somos 17 vereadores. Apenas cinco assinaram. Precisamos de mais um para apertar o prefeito e mostrar para onde foi tanto dinheiro e tão pouca solução”, desabafou o vereador Zé do Bode no vídeo, destacando o caos nas ruas do município.
Segundo os vereadores, mais de R$ 174 milhões já foram empenhados em infraestrutura — recursos públicos que, na prática, não se traduziram em ruas dignas. Buracos por toda parte, bairros inteiros com pavimentação precária e serviços de manutenção que parecem maquiagem temporária para disfarçar a ineficiência da gestão.
A oposição na Câmara questiona: onde está o asfalto de qualidade? Por que as obras não duram? O que explica o contraste entre os comunicados oficiais de “Buraco Zero” e o dia a dia dos motoristas e pedestres que enfrentam verdadeiras crateras nas vias?
A iniciativa da CPI revela o crescente descontentamento com a administração Aurélio Goiano. Apesar das propagandas de “trabalho intenso” e frentes de serviço 24h, a população reclama de lentidão, obras malfeitas e falta de planejamento. Vereadores que assinam o documento afirmam que a fiscalização é necessária para esclarecer possíveis irregularidades, desperdício de recursos ou até conivência com contratos questionáveis.
“CPI já! A cidade quer resposta. A população merece respeito”, diz o chamado dos parlamentares, que convidam a população a marcar os vereadores restantes nos comentários para pressionar pela sexta assinatura.
Enquanto a maioria dos vereadores permanece omissa ou alinhada ao Executivo, o pequeno grupo que assina a CPI demonstra que, pelo menos para alguns, a função de fiscalizar não é apenas retórica. Resta saber se haverá coragem política suficiente para abrir a investigação e expor as entranhas da gestão da infraestrutura em Parauapebas.
A bola agora está com os outros 12 vereadores. Um único nome pode fazer a diferença entre o silêncio cúmplice e a cobrança necessária. A população espera — e observa.



