Em um momento em que o Pará enfrenta desafios econômicos e sociais persistentes, como desigualdade e precariedade nos serviços públicos, a vice-governadora Hana Ghassan Tuma (MDB) volta a ser alvo de críticas por acumular uma pensão previdenciária generosa com seu subsídio como autoridade estadual.
Documentos oficiais revelam que Tuma, ex-auditora fiscal da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa), recebeu concessão de aposentadoria por idade e tempo de contribuição, com proventos totais de R$ 46.366,19 mensais, efetivos a partir de 1º de março de 2026.

Somado ao seu subsídio como vice-governadora, estimado em R$ 29.469,99 (de acordo com o Decreto Legislativo Nº 01/2023 da Assembleia Legislativa do Pará, ajustado por reajustes recentes como o de 6% anunciado pelo governo em março de 2026 para servidores públicos), o valor total ultrapassa os R$ 75.836 por mês – um “supersalário” que levanta questionamentos sobre equidade e uso de recursos públicos.
A portaria Nº 289, publicada em 11 de fevereiro de 2026 pelo Instituto de Gestão Previdenciária e Proteção Social do Estado do Pará (IGEPPS), detalha a concessão da aposentadoria a Tuma, com base em sua carreira como auditora fiscal. O subtotal bruto chega a R$ 82.137,97, reduzido por um teto constitucional de R$ 35.771,78, resultando nos R$ 46.366,19 líquidos.
Esse montante, somado ao salário político, configura um acúmulo excessivo, especialmente em um estado onde o salário mínimo nacional é de R$ 1.412 e muitos servidores lutam por reajustes básicos. “É um tapa na cara da população paraense, que vê o dinheiro dos impostos irrigando bolsos já cheios enquanto escolas e hospitais sofrem com falta de investimento”, comentou um analista político local, que preferiu não se identificar por receio de retaliações.
O timing da aposentadoria não poderia ser mais controverso: coincide com rumores e pesquisas eleitorais que indicam a saída iminente do governador Helder Barbalho (MDB) do cargo para disputar uma vaga no Senado Federal nas eleições de outubro de 2026. Levantamentos como o do instituto Real Time Big Data (fevereiro de 2026) e Paraná Pesquisas (dezembro de 2025) mostram Barbalho liderando com folga a corrida ao Senado, com até 50,8% das intenções de voto.
Pela legislação eleitoral, governadores precisam renunciar seis meses antes do pleito para concorrer a outros cargos, o que deve ocorrer em abril de 2026. Nesse cenário, Tuma assumiria interinamente o governo do Pará, elevando seu subsídio para o patamar do governador – cerca de R$ 35.363,55 (também ajustado pelo reajuste de 6%), totalizando mais de R$ 81 mil mensais com a pensão.
Essa transição levanta suspeitas de planejamento estratégico para maximizar benefícios pessoais em detrimento do erário público. “Enquanto o governo anuncia reajustes modestos de 6% para mais de 160 mil servidores – que mal cobrem a inflação acumulada –, figuras como Tuma garantem rendas vitalícias que superam em muito o teto constitucional. Isso reflete o clientelismo enraizado na política paraense, onde famílias e aliados se perpetuam no poder às custas do contribuinte”.
A vice-governadora, que também acumula o cargo de secretária de Planejamento e Administração, não comentou publicamente o caso, mas seu perfil oficial destaca ações de “equilíbrio fiscal” – ironia que não passa despercebida aos detratores.
Organizações da sociedade civil, como o Movimento pela Transparência Pública no Pará, pedem investigação imediata pelo Ministério Público Estadual e pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-PA), questionando se o acúmulo fere princípios de moralidade administrativa previstos na Constituição. “Não é só sobre legalidade; é sobre decência. O Pará merece líderes que priorizem o povo, não o próprio bolso”, afirmou uma liderança do movimento em manifesto divulgado nas redes sociais.
Enquanto o debate esquenta, a população paraense segue aguardando respostas concretas sobre como esses recursos poderiam ser realocados para áreas críticas, como saúde e educação. Com a proximidade das eleições, o caso pode influenciar o humor do eleitorado, especialmente em um estado marcado por escândalos de corrupção e desigualdades gritantes. Fica a pergunta: até quando o “jeitinho brasileiro” vai justificar privilégios que perpetuam a elite no poder?

Quanto custa o topo do governo do Pará
Além da vice-governadora Hana Ghassan, que passou a receber uma aposentadoria de R$ 46.366,19 somada ao salário de vice-governadora de cerca de R$ 29.469,99, ultrapassando R$ 75 mil mensais, outro ponto que entra no debate público é a remuneração da esposa do governador.
A primeira-dama do estado, Daniela Barbalho, foi indicada em 2023 para o cargo de conselheira do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PA), função que possui remuneração superior a R$ 35 mil mensais, além de benefícios e estabilidade típica do cargo.
O posto de conselheiro do TCE é considerado um dos mais altos salários do serviço público estadual e tem caráter vitalício até a aposentadoria compulsória aos 75 anos, o que amplia ainda mais o impacto financeiro ao longo do tempo.
Estimativa de custo mensal do núcleo político
Considerando valores aproximados divulgados publicamente:
| Cargo | Valor mensal aproximado |
|---|---|
| Governador Helder Barbalho | ~ R$ 35 mil |
| Vice-governadora Hana Ghassan (salário + aposentadoria) | ~ R$ 75 mil |
| Daniela Barbalho (conselheira do TCE) | ~ R$ 35 mil |
Total estimado:
➡️ Mais de R$ 145 mil por mês pagos diretamente em remuneração pública.
Em termos anuais, isso representa cerca de R$ 1,7 milhão por ano em remuneração pública apenas para essas três posições ligadas ao núcleo do governo estadual.



