Em um claro exemplo de favoritismo familiar e má gestão pública, a deputada federal Andrea Siqueira (MDB-PA) destinou mais de R$ 37.871.585,00 milhões em emendas parlamentares para Tucuruí, município governado por seu esposo, o prefeito Alexandre Siqueira.
Apesar desse volume expressivo de recursos – que representa cerca de 50% do total alocado pela deputada em 2024 e 2025 –, a cidade continua mergulhada em problemas básicos, como falta de medicamentos nos postos de saúde, escassez de profissionais médicos e esgotos a céu aberto que forçam a população a improvisar soluções por conta própria. Críticos apontam para um esquema de nepotismo que prioriza interesses pessoais em detrimento do bem-estar coletivo, enquanto investigações revelam perseguições políticas e calotes a fornecedores.
O “Cinturão de Emendas” de Andreia Siqueira
De acordo com os dados das emendas individuais de 2024 e 2025, a parlamentar concentrou uma fatia significativa de seu orçamento em Tucuruí. Somente em três grandes blocos de emendas em 2024, a cidade foi o destino de R$ 37.871.585,00.
Abaixo, veja a distribuição detalhada dos valores empenhados por localidade, conforme os registros parlamentares (2024-2025):
| Município Beneficiado | Valor Total Empenhado (R$) |
| Tucuruí – PA | R$ 37.871.585,00 (2024) + R$ 6.300.000,00 (2025)* |
| Breu Branco – PA | R$ 3.980.240,15 |
| Brejo Grande do Araguaia – PA | R$ 3.285.000,00 |
| Nova Repartimento – PA | R$ 2.000.000,00 |
| Mocajuba – PA | R$ 2.876.907,00 |
| Palestira do Para – PA | R$ 2.300.000,00 |
| Marabá – PA | R$ 990.000,00 |
| Curionópolis – PA | R$ 1.999.907,00 |
| Outras cidades (Cumaru, Jacundá, etc.) | Valores entre R$ 300 mil e R$ 1 milhão |
| *Nota: Em 2025, Tucuruí continua sendo o destino prioritário em diversas frentes de repasse. |
O contraste entre o milhão e o básico
Apesar do aporte financeiro milionário, o cotidiano em Tucuruí é de precariedade. Postos de saúde sofrem com o desabastecimento crônico de medicamentos básicos e a carência de profissionais de saúde para atendimento imediato.
Na infraestrutura, o cenário é de descaso. O esgoto a céu aberto é uma realidade em diversos bairros, forçando a própria população a realizar mutirões para consertar canais e tubulações, já que a prefeitura não atende aos chamados.
Crise Administrativa: Calotes e Perseguição
A gestão de Alexandre Siqueira também enfrenta denúncias graves no campo administrativo e político:
- Calote a Fornecedores: Empresas que prestam serviços ao município relatam atrasos sistemáticos nos pagamentos, gerando um efeito dominó na economia local.
- Perseguição Política: Servidores públicos denunciam um clima de temor. Aqueles que não manifestam apoio explícito às políticas ou ao grupo político do prefeito relatam perseguições, transferências punitivas e demissões sem justificativa técnica.
- A prefeitura é acusada de dar calotes, com descontos em consignados de servidores que nunca chegam aos credores. Uma empresa investigada pelo Ministério Público a RJ Comércio de Alimentos e Serviços LTDA, já embolsou mais de R$ 18 milhões em contratos sob a gestão Siqueira.
Se Tucuruí recebeu mais de R$ 37,87 milhões em dois anos, por que problemas básicos continuam sem solução?
Enquanto o casal Siqueira acumula poder e recursos, Tucuruí coleciona processos no Ministério Público e no Tribunal de Contas, com o prefeito considerado inelegível por abuso econômico, mas ainda no cargo. Essa realidade expõe as entranhas de um sistema político viciado, onde emendas parlamentares servem a agendas familiares em vez de resolver mazelas sociais. A população de Tucuruí merece mais do que promessas vazias – merece ação e transparência.







