Enquanto a Prefeitura de Parauapebas segue desembolsando milhões de reais mensalmente para uma empresa realizar serviços de roçagem, poda, limpeza e manutenção de canais, lagos e galerias, a realidade nas ruas, escolas e espaços públicos da cidade conta uma história bem diferente: o mato cresce sem controle e a sujeira predomina.
Levantamento oficial da própria Prefeitura, referente ao período de janeiro a maio de 2026, revela que a empresa Ricardo A. de Lima Martins Ltda (CNPJ 03.212.038/0001-16) recebeu R$ 9.145.650,54 em apenas cinco meses. São pagamentos recorrentes, quase todos justificados como “contratação emergencial por dispensa de licitação”, sob o mesmo contrato 20250523.
Os números que impressionam:
- 22/01/2026: R$ 2.710.567,89
- 20/02/2026: R$ 1.355.283,93
- 03/03/2026: R$ 1.355.283,96
- 01/04/2026: R$ 1.355.084,39
- 04 e 12/05/2026: mais de R$ 2,3 milhões em duas parcelas
Total: quase 9,2 milhões de reais em menos de cinco meses. Isso equivale a uma média superior a R$ 1,8 milhão por mês.
O curioso é que, apesar do alto volume de recursos públicos direcionados para esses serviços, moradores relatam que a roçagem e limpeza só aparecem de forma pontual nas avenidas principais — provavelmente para “maquiar” a cidade em dias de evento ou visita de autoridades. Nos bairros, escolas municipais, terrenos baldios e prédios públicos, o mato cresce livremente, criando risco de acidentes, proliferação de animais peçonhentos e uma imagem de abandono.
Questiona-se: onde está o serviço que justifica tamanha despesa? Por que a população pouco ou quase nada vê do trabalho supostamente realizado com tanto dinheiro?
A modalidade escolhida — dispensa de licitação por emergência — tem sido repetidamente utilizada, o que levanta questionamentos sobre a transparência e a real necessidade de contratações diretas mês após mês para o mesmo serviço e a mesma empresa.
A gestão do prefeito Aurelio Goiano precisa urgentemente explicar à população para onde está indo esse dinheiro e por que os resultados não condizem com os vultosos pagamentos. Enquanto isso, Parauapebas segue “verde” — não pelo capricho da limpeza pública, mas pela força do mato que insiste em tomar conta da cidade.
É dinheiro público. O contribuinte tem o direito de cobrar resultado.
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