Enquanto postos de saúde de Tucuruí enfrentam falta crônica de medicamentos e médicos, o prefeito Alexandre Siqueira (MDB) destinou mais de R$ 15,6 milhões apenas em locação de veículos nos primeiros cinco meses de 2026 — um ano eleitoral em que sua esposa, a deputada Andréia Siqueira, deve disputar as eleições.
Levantamento exclusivo com base em dados oficiais da Prefeitura Municipal de Tucuruí (exercício 2026, até 21/05) revela o volume bilionário pago a apenas três empresas por locação de veículos:
- J C CONSTRUÇÕES E TRANSPORTES LTDA: R$ 11.552.258,00 em locação de veículos para manutenção de vias.
- VIAFORTE CONSTRUÇÕES E TRANSPORTES LTDA: R$ 3.700.531,00 em transporte escolar terrestre e fluvial.
- JVRS DOS SANTOS TRANSPORTES LTDA: R$ 404.150,00 em locação de ônibus e micro-ônibus para o Tratamento Fora do Domicílio (TFD).
Total em locação de veículos: R$ 15.656.939,00
O montante impressiona especialmente porque ocorre em um município que, segundo relatos frequentes da população, convive com postos de saúde sem remédios básicos, falta de profissionais e precariedade geral no atendimento. O contraste é ainda mais gritante no ano em que a família Siqueira busca manter o controle político da cidade.
Alexandre Siqueira permanece no cargo por manobras jurídicas. Condenado por compra de votos e abuso de poder econômico, ele foi declarado inelegível por oito anos pelo TRE-PA e teve a inelegibilidade confirmada pelo TSE. Apesar disso, continua prefeito graças a interpretações controversas de liminares, transformando-se em um caso inédito no país.
Enquanto isso, os cofres públicos são esvaziados em contratos de locação — muitos deles com aditivos sucessivos —, em um momento em que recursos poderiam ser direcionados à saúde, educação e infraestrutura básica.
A população de Tucuruí pergunta: por que milhões fluem com tanta facilidade para aluguel de carros e ônibus, enquanto faltam remédios nos postos e médicos para atender quem mais precisa?
Em ano eleitoral, o “torra” em locações levanta suspeitas de uso eleitoreiro do poder público. A cidade merece respostas — e prioridade real para serviços essenciais.

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