Prefeito cassado por compra de votos recebeu R$ 37 milhões em emendas da esposa deputada em apenas um ano, enquanto Tucuruí afunda no abandono

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Enquanto a população de Tucuruí enfrenta um cenário de completo descaso em saúde, saneamento básico, infraestrutura e geração de empregos, o prefeito Alexandre França Siqueira (MDB) e sua esposa, a deputada federal Andreia Siqueira, articulam mais um ciclo eleitoral. A deputada destinou 100% de suas emendas parlamentares individuais de 2024 para o município — mais de R$ 37,87 milhões —, mas a cidade segue sem qualquer melhora visível.

O caso ganhou novo capítulo com a Decisão Monocrática do conselheiro Lúcio Vale, do Tribunal de Contas dos Municípios do Pará (TCMPA), que admitiu Representação Interna contra a gestão Alexandre Siqueira. O processo (Informação nº 1456/2025/6ª Controladoria) investiga especificamente a aplicação de R$ 16,77 milhões repassados via Transferências Especiais (as famosas “Emendas PIX”).

De acordo com o relatório técnico do TCMPA, foram identificadas falhas graves no planejamento, governança, transparência, rastreabilidade financeira e controle interno. Irregularidades contratuais, ausência de licenciamento ambiental, medições duvidosas e execução incompatível com o previsto levantam sérias suspeitas sobre o destino real desse dinheiro público.

Prefeito inelegível segue no cargo por manobras jurídicas

O cenário torna-se ainda mais grave porque Alexandre França Siqueira foi declarado inelegível por compra de votos, mas permanece no comando da Prefeitura graças a sucessivas manobras jurídicas. Ele é apontado como um dos poucos casos no país em que o gestor consegue se manter no cargo mesmo após condenação por abuso de poder econômico.

Enquanto isso, a população amarga a falta do básico: postos de saúde sem medicamentos, ruas esburacadas, saneamento precário e ausência de investimentos que gerem emprego na região. O contraste é escandaloso: R$ 37,8 milhões foram empenhados integralmente para Tucuruí, mas a cidade não apresenta qualquer transformação estrutural ou melhoria concreta na qualidade de vida.

“Emendas da família” em xeque

Críticos veem na articulação para a reeleição de Andreia Siqueira um claro esquema de manutenção de poder. A deputada envia os recursos, o marido administra (ou deveria administrar), e a população continua sofrendo. Agora, o TCMPA começa a colocar luz sobre o que vinha sendo feito com esses recursos.

A decisão do conselheiro Lúcio Vale determinou a citação do prefeito para apresentar defesa e o prosseguimento da investigação. Para muitos moradores, chega tarde demais. A pergunta que não quer calar é: para onde foram os R$ 16,7 milhões das emendas PIX?

Enquanto o casal político planeja o próximo pleito, Tucuruí segue à deriva, vítima de um modelo que prioriza a perpetuação no poder em detrimento do interesse público.

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