Prefeita de Canaã mantém pelo menos 17 empresas citadas pelo GAECO em denúncia de organização criminosa faturando na Prefeitura enquanto articula marido para deputado

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Enquanto o Ministério Público do Pará, por meio do GAECO, expõe em denúncia de 132 páginas uma organização criminosa que teria controlado licitações, fraudado medições e desviado recursos públicos em Canaã dos Carajás, a prefeita Josemira Gadelha segue autorizando pagamentos a dezenas de empresas citadas no mesmo processo. Ao mesmo tempo, articula a candidatura do marido, Eugênio Gadelha — ex-secretário de Obras —, ao cargo de deputado estadual.

A denúncia oferecida pelo GAECO aponta que, entre 2014 e dezembro de 2024, empresas ligadas ao esquema receberam R$ 1.490.290.923,83 apenas do município de Canaã dos Carajás. O documento descreve uma estrutura com núcleo político (executivo e legislativo), núcleo de assessoria técnica e núcleo empresarial, com divisão de tarefas para direcionar licitações, frustrar a competitividade, fraudar contratos e praticar corrupção ativa e passiva.

Entre as empresas listadas na denúncia e que, segundo levantamentos recentes, continuam faturando com a Prefeitura — mesmo após a operação do GAECO que apreendeu dinheiro em espécie, aparelhos eletrônicos, anotações, áudios e mensagens — estão:

Documento do GAECO aponta que empresas controladas pela organização criminosa receberam R$ 1,49 bilhão em recursos do município de Canaã dos Carajás entre 2014 e dezembro de 2024. O valor consta em relatório do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado, com base em informações do Sistema REI do TCM/PA.

Empresas que continuam como fornecedoras da Prefeitura até hoje:

  • White Tratores Serviços de Terraplenagem Ltda.
  • Ribeiro e Silva Engenharia Ltda.
  • Construfaz Máquinas e Terraplenagem Ltda.
  • Gonçalves e Dias Engenharia Ltda.
  • RGS Engenharia Eireli-EPP
  • Ativa Construtora Engenharia Ltda.
  • J.C. Construtora Ltda.
  • CSP – Construtora Sul Pará Ltda.
  • Locan – Locação de Máquinas e Veículos Ltda.
  • Talismã Locações & Serviços Ltda.
  • Roma Construções e Transportes Ltda.
  • Starker BR Transportes Ltda.
  • Xodó Comércio de Combustíveis Ltda.
  • Auto Posto Queiroz Ltda.
  • Auto Posto Araguaia Ltda.
  • Auto Posto Novo Horizonte Ltda.
  • Auto Posto Novo Brasil Ltda.

Algumas dessas empresas operam justamente no segmento de obras, terraplenagem, locação de máquinas e serviços — área sob responsabilidade da Secretaria de Obras durante o período em que Eugênio Gadelha ocupou o cargo. Segundo a denúncia, o esquema envolvia superfaturamento, medições fraudulentas e serviços que “nunca saíram do papel”, mas foram pagos com dinheiro público.

A denúncia do GAECO detalha que a organização criminosa atuava de forma estruturada desde pelo menos 2014, independentemente de conotação partidária, controlando desde a formalização de demandas até a execução contratual. Pregoeiros, fiscais de contrato, secretários e empresários teriam atuado de forma coordenada. A operação resultou em busca e apreensão, quebra de sigilos e afastamento de funções públicas.

Apesar disso, a Prefeitura de Canaã dos Carajás, sob a gestão de Josemira Gadelha, mantém contratos e pagamentos a várias dessas empresas. Ao mesmo tempo, a prefeita movimenta a pré-candidatura do marido a deputado estadual, em um cenário em que o próprio Ministério Público aponta suspeitas de articulação política e empresarial envolvendo o mesmo grupo de empresas que continuam recebendo recursos públicos.

A denúncia não é sentença. Os acusados ainda responderão ao processo e têm direito à ampla defesa. No entanto, o contraste é gritante: enquanto o GAECO descreve um esquema de proporções bilionárias, com apreensão de provas materiais e estrutura completa da organização criminosa, a prefeita segue assinando pagamentos às mesmas empresas apontadas como integrantes do esquema e tenta projetar o marido — que passou pela pasta de Obras — para a Assembleia Legislativa.

A população de Canaã dos Carajás, que convive com as consequências de obras superfaturadas e serviços mal executados ou inexistentes, observa a continuidade dos contratos e a movimentação política. A pergunta que permanece é simples: quantos milhões ainda serão pagos a empresas citadas em denúncia de 132 páginas enquanto se articula a candidatura de quem ocupou a secretaria responsável por boa parte desses contratos?

Veja alguns áudios anexados à denúncia:

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