Operação da PF apreende R$ 500 mil e documento cita Keniston Braga com R$ 100 mil

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A recente operação da Polícia Federal em Belém, que resultou na apreensão de R$ 500 mil em dinheiro vivo, na prisão de três pessoas — incluindo um servidor da Casa Civil do governo do Pará — e na descoberta de uma planilha manuscrita suspeita, expõe mais um capítulo vergonhoso da política paraense. O documento, associado a indícios de lavagem de dinheiro, associação criminosa e possível corrupção, lista nomes de deputados federais ligados ao governador Helder Barbalho (MDB), com valores que chegam a centenas de milhares de reais. Entre eles, o deputado Keniston Braga (MDB), de Parauapebas, aparece com R$ 100 mil anotados ao lado de seu nome — uma quantia que, embora menor que as de outros colegas, não deixa de ser alarmante.

Keniston Braga, que se apresenta como representante dedicado de Parauapebas e da região mineral do Carajás, ficou “surpreso” com a revelação, segundo sua própria declaração à coluna de Lauro Jardim, no O Globo. Ele diz desconhecer o documento, os envolvidos na operação e qualquer ligação com o esquema. No entanto, essa reação de espanto soa conveniente demais em um contexto onde parlamentares do mesmo grupo político aparecem repetidamente em situações nebulosas de recursos públicos. Surpresa genuína ou tentativa de se distanciar rapidamente de um escândalo que pode respingar em sua imagem de “defensor do povo”?

O que chama atenção é o padrão: a planilha menciona não só deputados, mas também órgãos como a Secretaria de Turismo (Setur) e municípios do interior, como Bagre, Curralinho, Bujaru e Muaná — todos com cifras associadas. A PF aponta um esquema estruturado de ocultação de patrimônio via “laranjas”, contratos suspeitos (como os de R$ 3,8 milhões da Fundação Cultural do Pará, firmados por inexigibilidade de licitação) e até resistência à prisão com arma apontada contra agentes. Em meio a isso, o nome de Keniston Braga surge ligado a R$ 100 mil sem qualquer explicação clara sobre origem ou destino do valor.

Enquanto o deputado promete pedir esclarecimentos à PF, a sociedade paraense — especialmente os moradores de Parauapebas, que convivem com desigualdades gritantes apesar da riqueza mineral — tem o direito de cobrar mais do que declarações genéricas de surpresa. Deputados que destinam emendas e se posicionam como fiscalizadores do poder público não podem se omitir quando seus nomes aparecem em papéis apreendidos em operações contra crimes graves. A “surpresa” de Keniston não apaga a necessidade de transparência total: de onde viriam esses valores? Haveria alguma relação com emendas parlamentares, eventos culturais ou contratos públicos?

Até que haja provas concretas de irregularidade, a presunção de inocência prevalece. Mas o episódio reforça a urgência de uma fiscalização mais rigorosa sobre o uso de dinheiro público no Pará. Casos como esse alimentam a desconfiança generalizada na classe política e mostram que, para muitos, o mandato parece servir mais a interesses obscuros do que ao bem comum. Keniston Braga, que tanto fala em desenvolvimento e recursos para sua base, agora precisa provar com ações — e não apenas palavras — que seu nome nessa planilha é apenas um equívoco. Caso contrário, a “surpresa” pode se transformar em algo bem mais grave para sua trajetória política. O povo de Parauapebas e do Pará merece respostas, não desculpas.

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