Mesmo com “representante” em Brasília, UFRA em Parauapebas sofre com falta de água, elevador quebrado, ônibus sucateado e estrutura precária

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Elevador quebrado há meses, bebedouros sem água potável, lajotas que quase despencam sobre os alunos, curso de Enfermagem sem laboratórios próprios e um ônibus sucateado sem cinto de segurança nem ar-condicionado. Essa é a realidade humilhante que os universitários da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) em Parauapebas denunciam desde o início de 2026.

Enquanto os estudantes organizam protestos com faixas dizendo “Estrutura digna é direito, não privilégio”, o deputado federal que mais se beneficia do voto de Parauapebas — Keniston Braga (MDB) — assiste de longe. Eleito com mais de 52 mil votos só na cidade, Keniston não perde oportunidade de se apresentar como o grande “representante de Parauapebas”. Posiciona-se como defensor do desenvolvimento regional, preside comissões importantes em Brasília e entrega tratores para produtores rurais. Mas quando o assunto é a universidade federal da própria cidade que o elegeu, o que se vê é silêncio operacional e um punhado de notas e vídeos.

Em uma publicação recente, o deputado reconheceu que “a formação de profissionais está ameaçada com a situação da UFRA em Parauapebas”. Palavras bonitas. Na prática, zero reais em emendas parlamentares foram direcionados para resolver os problemas graves do campus: reforma da estrutura física, aquisição de laboratórios, recuperação do transporte escolar ou qualquer melhoria mínima de acessibilidade e segurança. Nada. Apenas declarações genéricas e posts nas redes sociais.

O estudante de Enfermagem Arthur Dantas, de 19 anos, foi direto ao denunciar a gravidade: o elevador está permanentemente em manutenção, impedindo o acesso de pessoas com deficiência; a parte externa do prédio precisou ter lajotas removidas para não cair na cabeça dos alunos; os bebedouros não funcionam; e o curso de saúde opera sem laboratórios adequados e com falta de professores. Já a aluna de Zootecnia Raquel da Silva Rocha relatou que o ônibus usado para aulas práticas é um verdadeiro risco: sem cintos, sem ar-condicionado no calor amazônico e frequentemente parado por falta de combustível, motorista ou pane mecânica. “Outras unidades da UFRA têm frotas modernas. Aqui é puro descaso”, desabafou.

Parauapebas é um dos campi que mais produz ciência e reconhecimento intelectual dentro da UFRA. Mesmo assim, a reitoria em Belém concentra recursos, o Ministério da Educação (MEC) não prioriza o interior, e o deputado que jurou representar a cidade não cobra com firmeza nem apresenta emendas para mudar esse quadro. Enquanto Keniston Braga acelera entregas de máquinas agrícolas e posa ao lado de lideranças, os futuros enfermeiros, zootecnistas e profissionais formados em Parauapebas são obrigados a estudar em condições precárias que colocam em risco sua formação e até sua segurança física.

O descaso é duplo: federal e local. O governo federal trata a UFRA do interior como instituição de segunda classe. A reitoria central ignora a disparidade. E o deputado federal mais votado na cidade limita-se a lamentar o problema em vídeo, sem transformar reconhecimento em ação concreta.

Os universitários não pedem luxo. Pedem o básico: elevador que funcione, água para beber, salas e laboratórios dignos, e transporte seguro. Em vez disso, recebem promessas vazias e um campus que desmorona.

Enquanto o Portal Pebinha de Açúcar segue aguardando posicionamento oficial da Reitoria da UFRA e do MEC, a pergunta incômoda fica no ar para Keniston Braga: até quando Parauapebas vai continuar elegendo “representantes” que aparecem nas fotos e nas lives, mas somem na hora de garantir recursos para a educação pública da própria cidade?

Estrutura digna não é favor. É obrigação. E os alunos da UFRA de Parauapebas já estão cansados de pagar o preço da omissão de quem deveria defendê-los em Brasília.

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