Mesmo após operação do GAECO, Canaã dos Carajás segue sob domínio de organização criminosa que drena milhões dos cofres públicos

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Mesmo após a Operação Locus II – Terra Comprometida, deflagrada pelo GAECO/MPPA, que resultou em denúncia criminal de 132 páginas contra uma robusta organização criminosa atuante no município, a gestão da prefeita Josemira Gadelha (MDB) continua assinando contratos milionários com as mesmas empresas e personagens apontados como integrantes do esquema de superfaturamento, fraude em licitações e cobrança de propina de 6% a 10%. 

A denúncia do Ministério Público descreve uma estrutura criminosa atuante desde pelo menos 2014, com núcleos político, técnico e empresarial, que direcionava licitações, frauda medições, emitia notas frias e repartia propinas. O documento aponta que empresas controladas pela organização receberam mais de R$ 1,4 bilhão dos cofres públicos em uma década.

Núcleo Geral de vínculos da organização criminosa mantém contratos com a Prefeitura até hoje; nomes como Gilvan da Van e Branco da White seguem entre os beneficiados.

Empresas do esquema ainda faturam com a assinatura da prefeita

Segundo dados do Portal da Transparência e informações presentes na denúncia, pelo menos 21 empresas ligadas ao grupo continuam sendo contratadas pela atual gestão. Entre os principais nomes citados estão: (Veja matéria completa das empresas que continuam na cidade)

Lista de empresas que desviaram quase R$ 1,5 bilhão dos cofres públicos: 21 delas continuam faturando com dinheiro público

•  Gilvan da Van (Gilvan da Silva Pinheiro): Atua fortemente no segmento de locação de máquinas, veículos e serviços. Controla ou influencia empresas como LOCAN – Locação de Máquinas e Veículos Ltda., BR Serviços, Construções e Locações, Talismã Locações & Serviços, entre outras. A denúncia detalha sua atuação coordenada com outros integrantes para dominar contratações fraudulentas.

•  Branco da White (João Vicente Ferreira do Vale): Ligado à White Tratores Serviços e Comércio Ltda., também atua no segmento de construção e locação. Ele é citado como um dos três líderes centrais do núcleo empresarial ao lado de Ailson Ferreira Alves (“Ailson da White”) e Gilvan.


Diagrama do GAECO/MPPA revela a estrutura do núcleo empresarial da organização criminosa, apontando a ligação entre empresários, operadores e empresas utilizadas para contratos públicos em Canaã dos Carajás.

Esses empresários, apontados como pilares do esquema, seguem celebrando contratos com a Prefeitura de Canaã dos Carajás sob a gestão Josemira Gadelha.

Câmara Municipal blindada pelo próprio presidente do esquema

A situação fica ainda mais grave na Câmara de Vereadores. O presidente da Casa, Flávio Gomes de Sousa, é explicitamente apontado na denúncia como integrante da organização criminosa. Ele teria recebido vantagens indiretas por meio de empresas do esquema contratadas pela Prefeitura e pela própria Câmara — inclusive valores superiores a R$ 1 milhão em um único contrato de locação de veículos.

Organograma do GAECO/MPPA detalha o núcleo político da organização criminosa, indicando a ligação entre agentes públicos, ex-gestores e operadores responsáveis pela articulação de contratos, licitações e repasses investigados em Canaã dos Carajás.

Ou seja: o Legislativo local, que deveria fiscalizar o Executivo, é presidido por um dos principais operadores da quadrilha.

Roberto Andrade, o “articulador central”, segue influente

A denúncia identifica Roberto Andrade Moreira (ex-secretário de Governo) como líder do núcleo político, responsável por definir os “donos” das licitações e cobrar pessoalmente a propina de 6% a 10%. Documentos apreendidos em sua residência, incluindo anotações de próprio punho controlando repasses milionários, comprovam o esquema. Mesmo afastado formalmente, sua influência política na gestão atual é notória. (Veja aqui)

Uma “Terra Prometida” transformada em “Terra Comprometida”

Enquanto a população de Canaã dos Carajás — um dos municípios mais ricos do Pará graças à mineração — convive com serviços públicos precários, as empresas do esquema seguem superfaturando contratos, entregando serviços incompletos ou de qualidade inferior, com aval da administração municipal.

A manutenção dessas contratações pela prefeita Josemira Gadelha levanta questionamentos graves: ou a gestora ignora deliberadamente os alertas do MPPA, ou o esquema é tão enraizado que sobrevive a operações policiais, buscas, apreensões e denúncias criminais.

A impunidade aparente só fortalece o círculo vicioso: empresas idôneas desistem de participar, os preços sobem artificialmente, o dinheiro público é drenado e a organização criminosa se perpetua no poder.

Canaã dos Carajás merece mais do que uma “Terra Comprometida” por corrupção. A sociedade local e os órgãos de controle precisam cobrar respostas concretas: por que as mesmas empresas e os mesmos personagens continuam sendo beneficiados com a caneta da prefeita Josemira Gadelha?

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