Mais de 21 meses após a homologação do concurso público de Tucuruí (Edital nº 001/2023), a realidade dos aprovados é uma só: espera, incerteza e silêncio da gestão do prefeito Alexandre Siqueira.
Sem cronograma claro, sem transparência sobre vagas e com contratações temporárias crescendo, o cenário escancara uma inversão de prioridades. Enquanto concursados aguardam, a máquina pública segue inchada — mas não com servidores efetivos.
Promessa virou discurso vazio
A homologação, feita em 5 de julho de 2024, gerou expectativa real. Durante a campanha, o prefeito prometeu convocar mais de mil aprovados. No papel, parecia compromisso. Na prática, virou narrativa.
A primeira convocação relevante só veio meses depois, em janeiro de 2025. Em 2026, nova chamada — ainda insuficiente. Mesmo com mais de 450 empossados, o número de faltosos (mais de 120 somando as duas etapas) expõe o descontrole do processo.
E o principal: ainda há cerca de 230 vagas abertas, considerando ausências e cargos sequer chamados.
Enquanto isso, o relógio corre
O concurso tem validade até 5 de julho de 2026. Ou seja: o tempo está acabando — e a gestão continua empurrando com a barriga.
Sem convocação em massa ou nova prorrogação, o risco é claro: aprovados simplesmente perderem o direito após anos de estudo.
Gasto, frustração e abandono
Candidatos chegaram a gastar mais de R$ 1.200 com exames e documentação. Muitos nem foram chamados. Outros desistiram no meio do caminho, cansados da falta de resposta.
Resultado: prejuízo financeiro, desgaste emocional e sensação de abandono.
Ilegalidade escancarada
A regra é básica:
Se há concurso válido + necessidade de pessoal + aprovados → tem que nomear.
Manter temporários enquanto ignora concursados não é só má gestão — pode configurar violação direta aos princípios da administração pública: legalidade, moralidade e eficiência.
O jogo político por trás
Nos bastidores, cresce a leitura de que o concurso virou ferramenta política.
A demora, a falta de transparência e as convocações fragmentadas criam um cenário perfeito para uso eleitoral: liberar chamadas estratégicas, gerar expectativa e capitalizar politicamente — especialmente com o avanço do projeto eleitoral da família do prefeito.
Na prática, o que deveria ser direito virou moeda.
Pressão é o único caminho
O caso já ultrapassou o campo administrativo. É questão de fiscalização.
O Ministério Público precisa ser acionado. A Câmara precisa cobrar. E os aprovados precisam continuar pressionando.
Porque a pergunta segue aberta:
até quando os concursados de Tucuruí vão servir apenas como promessa de campanha?




