O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) orientou pessoalmente o empresário Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, a não vender a instituição financeira ao BTG Pactual, de André Esteves, por um valor simbólico (R$ 1). O conselho foi dado durante uma reunião no Palácio do Planalto em 4 de dezembro de 2024, que não constava na agenda oficial do presidente.
De acordo com reportagem do Poder360 (publicada neste domingo, 17 de maio), Vorcaro expôs ao presidente as dificuldades do banco e questionou se deveria prosseguir com a venda ou manter a operação. Lula recomendou que ele não vendesse o Master, argumentando que em breve haveria uma nova direção no Banco Central (com a indicação de Gabriel Galípolo) e criticando o oligopólio bancário.
Detalhes da reunião
A reunião foi articulada pelo ex-ministro Guido Mantega e contou com a presença de:
• Gabriel Galípolo (então indicado para presidir o BC)
• Rui Costa (ministro da Casa Civil)
• Alexandre Silveira (ministro de Minas e Energia)
Mensagens trocadas por Vorcaro com sua namorada, a influenciadora Martha Graeff, e obtidas pela Polícia Federal, mostram que o banqueiro avaliou o encontro como “ótimo” e “muito forte”. Ele destacou que Lula chamou o futuro presidente do BC e ministros para a conversa.
O encontro já havia sido noticiado anteriormente por veículos como UOL, Folha e Metrópoles, mas os novos detalhes sobre o conselho direto de Lula contra a venda ao BTG foram revelados agora com base em documentos e mensagens apreendidos pela PF na Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Banco Master.
Contexto do Banco Master
Na época da reunião, o Master já enfrentava graves problemas financeiros. Meses depois, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição por irregularidades. Vorcaro e outros envolvidos, incluindo familiares, estão entre os alvos das investigações da PF.
O caso ganhou repercussão maior recentemente devido a áudios e mensagens envolvendo Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em negociações para financiamento de um filme sobre Jair Bolsonaro — tema que Lula classificou como “caso de polícia”.
A Presidência da República e os envolvidos não comentaram imediatamente os novos detalhes sobre o conselho de Lula. O Planalto já havia confirmado o encontro anterior, afirmando que não houve interferência indevida.
Essa revelação intensifica o debate sobre as relações entre o governo e o sistema financeiro, especialmente em um contexto de escrutínio sobre o Banco Master e suas conexões políticas. A Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal continuam investigando o caso.



