Em uma cidade onde a população mal ultrapassa os 12.832 habitantes, a Prefeitura de Piçarra, no sul do Pará, opera como uma máquina voraz de empregos públicos, com mais de 1.279 servidores na folha de pagamento – o equivalente a impressionantes 10% dos moradores. Esse inchaço grotesco da administração municipal, sob o comando da prefeita Laane Barros (MDB), expõe uma gestão opaca e questionável, especialmente em meio a um concurso público homologado em novembro de 2025, que agora paira sob a sombra de irregularidades.
Os números falam por si: em apenas seis meses, 972 servidores temporários foram contratados sem qualquer concurso ou processo seletivo transparente, um volume que supera o de municípios muito maiores e mais populosos. Essa avalanche de contratações, sem justificativas claras ou necessidades comprovadas, cheira a clientelismo e favorecimento político, em um claro desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal e aos princípios da administração pública. Laane Barros, em seu segundo mandato, ignora as cobranças por explicações, deixando a população no escuro sobre o destino dos recursos escassos de uma cidade com indicadores sociais pífios.
Enquanto o PIB per capita de Piçarra estagna em R$ 22.814 – bem abaixo da média paraense de R$ 32.373 –, e 2,92% dos habitantes vivem em pobreza extrema, segundo dados de 2023, a prefeita opta por inflar a burocracia em vez de investir em serviços essenciais. Escolas precárias, saúde deficiente e infraestrutura abandonada contrastam com o festival de cargos temporários, que drenam o orçamento municipal para sustentar uma rede de aliados políticos. É um tapa na cara dos cidadãos honestos que lutam pelo pão de cada dia, enquanto a elite local se banqueteia com o erário público.
O concurso público em andamento, destinado a preencher vagas legítimas, agora é contaminado por essa bagunça administrativa. Com homologação recente, o processo levanta suspeitas de que as contratações em massa sirvam para burlar a meritocracia, mantendo apadrinhados em posições chave e sabotando a entrada de profissionais qualificados.
A população de Piçarra merece mais do que essa farra com o dinheiro público. É hora de o Ministério Público e o Tribunal de Contas investigarem a fundo essa lambança, antes que a cidade afunde ainda mais em um poço de corrupção e ineficiência. Laane Barros, que se diz defensora do povo, precisa responder: quem ganha com esse inchaço? Certamente não os 12.832 habitantes que pagam a conta.



