Keniston Braga não assina CPMI do Banco Master, um dos maiores escândalos financeiros do governo

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Enquanto a oposição no Congresso Nacional celebra a coleta de mais de 205 assinaturas para instalar a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master – investigando fraudes bilionárias estimadas em R$ 12 bilhões, conexões duvidosas com o Judiciário e possíveis interferências institucionais –, o deputado federal Keniston Braga (MDB-PA) brilha pela ausência. Representante de Parauapebas, cidade marcada pela mineração intensiva e pela dependência de recursos públicos transparentes, o parlamentar optou por não assinar o requerimento, juntando-se à maioria da bancada paraense que ignora o escândalo.

A recusa de Keniston Braga levanta sobrancelhas e alimenta críticas duras. Em um momento em que o País exige responsabilização sobre desvios que afetam o sistema financeiro e o patrimônio público, o deputado do MDB – partido historicamente alinhado ao governo federal – prefere o silêncio cômodo. Sua base eleitoral em Parauapebas, onde a Vale e a mineração geram riquezas, mas também demandas por fiscalização rigorosa de recursos, esperava posicionamento firme contra corrupção em alta escala. Em vez disso, o parlamentar parece priorizar lealdades partidárias em detrimento da transparência que tanto defende em discursos sobre mineração sustentável.

Dos 17 representantes do Pará, apenas quatro assinaram a CPMI: Delegado Caveira (PL), Delegado Éder Mauro (PL), Joaquim Passarinho (PL) e Raimundo Santos (PL). Os restantes, incluindo Keniston Braga, marcam presença na lista dos omissos – muitos deles do MDB, partido que domina a política local e estadual. Essa baixa adesão no Pará não é coincidência: reflete um padrão de parlamentares governistas que evitam investigações capazes de expor conexões incômodas entre poder econômico, judicial e executivo.

O escândalo do Banco Master não é trivial. Envolve emissão fraudulenta de títulos, contratos milionários com escritórios ligados a autoridades e prejuízos que podem impactar previdência e investidores comuns. A oposição, liderada por Carlos Jordy (PL-RJ), alerta para pressões sobre signatários para retirada de apoio – o que torna ainda mais questionável a não adesão inicial de figuras como Keniston Braga.

Os eleitores de Parauapebas e do Pará merecem explicações. Por que o deputado evita uma CPMI que promete esclarecer um dos maiores rombos financeiros recentes? Seria medo de repercussões partidárias, alinhamento incondicional ao governo ou simples omissão diante de temas espinhosos? Em tempos de crise institucional, silêncio como esse cheira a conivência. A população paraense, que luta por desenvolvimento justo, não pode aceitar representantes que fogem do dever de fiscalizar os poderosos.

A bola agora está com Keniston Braga: assinará tardiamente ou persistirá na abstenção que mancha sua trajetória? O País observa – e cobra.

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