Justiça suspende IPTU Premiado em Parauapebas após indícios de irregularidades e “números incompatíveis” no sorteio

Decisão judicial aponta risco coletivo, falhas técnicas e obriga Prefeitura a explicar geração dos números em até 10 dias
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O que deveria ser incentivo ao bom pagador virou dor de cabeça jurídica para a gestão municipal. A Justiça do Pará determinou a suspensão do procedimento administrativo do “IPTU Premiado” de Parauapebas após indícios de irregularidades na geração dos números sorteados e possível incompatibilidade com a base da Loteria Federal.

A decisão foi proferida no Mandado de Segurança nº 0800409-45.2026.8.14.0040, em tramitação na Vara da Fazenda Pública e Execução Fiscal da Comarca de Parauapebas, e atende parcialmente o pedido do contribuinte Hugo Leonardo de Holanda Ferreira, que questionou a legalidade, a transparência e a lisura do certame promovido pela Prefeitura.

Número que não existe, sorteio que não convence

De acordo com os autos, o impetrante recebeu o número da sorte 96.162, que seria incompatível com o universo efetivamente utilizado pela Loteria Federal nas extrações que serviram de base ao sorteio. Na prática, o número não estaria dentro da faixa válida, o que teria excluído o contribuinte da concorrência real.

A pergunta é simples e incômoda:

como apareceu um número fora da base válida?

Número não nasce do nada.

Alguém gera.

Alguém valida.

Alguém homologa.

E até agora, a Prefeitura não explicou nada.

Justiça vê risco e manda parar

Na decisão, o magistrado foi direto ao ponto ao afirmar que a anulação total dos sorteios e o refazimento imediato do certame esgotariam o mérito da ação e produziriam efeitos irreversíveis sobre terceiros, razão pela qual optou por uma medida de cautela: suspender o procedimento do IPTU Premiado até que os fatos sejam devidamente esclarecidos.

Em linguagem clara:

👉 há risco,

👉 há dúvida,

👉 e o Judiciário não vai fingir que está tudo normal.

Prefeitura na berlinda: 10 dias para explicar

A Comissão Organizadora do Sorteio do IPTU Premiado e o Município de Parauapebas foram oficialmente notificados e terão 10 dias para prestar informações completas, incluindo:

  • processo administrativo do sorteio,
  • logs de geração e validação dos números,
  • critérios técnicos utilizados,
  • controles do sistema,
  • atas da comissão,
  • relatórios de auditoria e homologação.

Ou seja: vai ter que abrir a caixa-preta.

Decreto existe, transparência não

O próprio Decreto Municipal nº 654/2025 prevê mecanismos de auditoria, correção, descarte de números e até novo sorteio em caso de inconsistências. Mesmo assim, o que se vê é desorganização, falta de controle e silêncio institucional.

Não é um errinho técnico.

É quebra de credibilidade pública.

O IPTU Premiado foi vendido como benefício ao contribuinte. Agora está associado a:

  • desconfiança,
  • questionamentos judiciais,
  • suspeita de falhas graves,
  • e possível violação aos princípios da legalidade e moralidade administrativa.

A pergunta que não quer calar

Com tudo isso, o cidadão tem direito de saber:

Quem programou o sistema?

Quem validou os números?

Quem homologou o sorteio?

E por que ninguém percebeu antes?

Porque se apareceu número fora da base, alguém errou. Ou alguém deixou errar.

E agora, a Justiça está olhando.

Os contribuintes que pagaram em dia o IPTU esperando participar de um sorteio justo ficam, mais uma vez, reféns da incerteza e da morosidade. A campanha, que deveria ser instrumento de estímulo à arrecadação e reconhecimento ao contribuinte adimplente, corre o risco sério de se transformar em símbolo de desconfiança institucional e de gestão amadora de políticas públicas premiais.

A bola agora está com a Prefeitura: terá poucos dias para esclarecer tecnicamente todas as dúvidas levantadas — ou verá o imbróglio se arrastar, com prejuízo maior ainda para a credibilidade da gestão municipal.

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