Josemira Gadelha torrou R$ 23,8 milhões em combustível com postos ligados a organização criminosa

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Em um ano marcado por promessas de transparência e austeridade, a administração da prefeita Josemira Gadelha (MDB), do município de Canaã dos Carajás, parece ter ignorado completamente as lições do passado. Documentos oficiais revelam que, apenas em 2025, a prefeitura despejou mais de R$ 23,8 milhões em pagamentos a postos de combustíveis envolvidos em um esquema de corrupção denunciado pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA).

Esses valores exorbitantes, pagos a empresas como Xodó Comércio de Combustíveis Ltda., Auto Posto Queiroz Ltda. e outras, levantam sérias dúvidas sobre a gestão de Gadelha: seria negligência ou conivência com um sistema que drena recursos públicos há anos?

Os dados, extraídos de relatórios de despesas da prefeitura, pintam um quadro alarmante. A Xodó Comércio de Combustíveis Ltda., uma das principais beneficiárias, faturou sozinha R$ 7.560.630,89 – um montante que supera os orçamentos anuais de saúde e educação em municípios menores.

Logo em seguida vem a Auto Posto Queiroz Ltda., com R$ 6.938.274,56, seguida pela Auto Posto Araguaia Ltda. (R$ 4.177.259,38), Monteiro e Oliveira Comércio de Combustíveis Ltda. (R$ 2.106.789,95), Auto Posto Novo Horizonte Ltda. (R$ 2.137.572,07) e Auto Posto Novo Brasil Ltda. (R$ 898.279,36).

Esses postos, todos citados em uma denúncia do MPPA por participação em uma organização criminosa, receberam pagamentos por “fornecimento fracionado de combustíveis” para veículos municipais, mas sem evidências claras de controles eficazes para evitar desvios.

Esses gastos representam uma continuidade descarada do esquema revelado na denúncia do MPPA, protocolada em 2024, que acusa uma rede de corrupção operando desde 2016 no segmento de fornecimento de combustíveis. Segundo o documento, a organização criminosa – que inclui ex-secretários como Roberto Andrade Moreira e Diogenes Canario Moreira, além de empresários como Fabiene Maria da Silva (ligada ao Auto Posto Pimentel II) – manipulava licitações para direcionar contratos milionários a postos controlados pelo grupo.

O modus operandi é simples e perverso: como o combustível é um “material consumível”, difícil de rastrear, a prefeitura celebra contratos sem exigir comprovações rigorosas do uso efetivo. Em vez de abastecer veículos oficiais, o combustível era desviado para enriquecimento ilícito ou carros pessoais de servidores, particulares e lideranças políticas aliadas ao poder.

O esquema explora a falta de sistemas de controle básicos, como cartões de abastecimento que limitam quantidades por veículo. Medições fraudulentas permitem superfaturamentos e desvios. De 2014 a 2021, os valores contratados explodiram deR$ 5,4 milhões para R$ 21,7 milhões – um aumento de quase 400% sem justificativa proporcional ao crescimento da frota municipal ou das atividades públicas. De 2016 a 2024, as empresas do esquema faturaram R$ 163 milhões do erário apenas com fornecimento de combustíveis, segundo o Tribunal de Contas dos Municípios (TCM/PA). Em 2025, sob a gestão de Gadelha, os gastos não só persistem como mantém o ritmo alucinante, ignorando as denúncias e as recomendações para maior fiscalização.

Josemira Gadelha enfrenta acusações de omissão direta. A pergunta é simples e incômoda: como postos de combustíveis — alguns pertencentes a empresários investigados — continuam recebendo milhões de reais dos cofres públicos sem qualquer interrupção? A prefeita, que assumiu o comando do município em 2021 prometendo uma “gestão eficiente”, parece ter virado as costas para um problema estrutural já exposto por investigações oficiais.

O contraste reforça a gravidade do caso. Municípios maiores, como Marabá — com território cerca de cinco vezes superior ao de Canaã dos Carajás — registraram gastos semelhantes ou até menores com combustíveis no mesmo período. Em Canaã, município bilionário graças aos royalties da mineração, o dinheiro do contribuinte evapora como gasolina em tanque furado, sem controle, sem transparência e sem respostas claras à população.

Moradores de Canaã, já sobrecarregados por problemas como falta de infraestrutura e serviços básicos, questionam: onde está a justiça ? O MPPA, por meio do GAECO, já afastou servidores e realizou buscas, mas a continuidade dos pagamentos sugere que o esquema pode estar mais enraizado do que se imaginava. Gadelha deve explicações urgentes à população – ou corre o risco de ver sua administração afundar em um mar de suspeitas.

Enquanto isso, os postos denunciados seguem lucrando, e o contribuinte paga a conta. É hora de ligar o sinal de alerta: transparência ou impunidade?

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