Mesmo com crise crônica no abastecimento de água e problemas básicos espalhados por vários bairros, a Prefeitura de Canaã dos Carajás, sob a gestão da prefeita Josemira Gadelha, já destinou mais de R$ 57 milhões ao Parque do Mirante, no Morro das Antenas — uma obra de forte apelo visual e turístico que, apesar dos altos valores pagos, não aparenta sequer 30% de execução física.
Sob a gestão da prefeita Josemira Gadelha, a Prefeitura de Canaã dos Carajás prioriza uma obra de apelo turístico e paisagístico no Morro das Antenas — o chamado Parque do Mirante — marcada por amplo desmatamento e gastos elevados, enquanto problemas básicos como falta de água persistem em diversos bairros do município.
As próprias placas oficiais da obra, instaladas no local, revelam os valores inicialmente anunciados pela prefeitura:
- Construção do Parque do Mirante – Etapa Trilha do Mirante
Valor contratado: R$ 25.795.000,00
Empresa: Gonçalves e Dias Engenharia Ltda
Início: 27/11/2023
Término previsto: 27/01/2025 - Serviços Complementares – Trilha do Mirante
Valor contratado: R$ 17.232.000,00
Empresa: Gonçalves e Dias Engenharia Ltda
Somadas, as etapas anunciadas nas placas totalizam R$ 43.027.000,00 apenas para a Trilha do Mirante.
Pagamentos já superam o valor anunciado
Dados oficiais de execução orçamentária mostram que os pagamentos já ultrapassaram os valores divulgados no canteiro da obra. Somente em 2025, os gastos classificados como “obras e instalações” ligados ao Parque do Mirante somam R$ 43.025.224,55. Em 2024, os pagamentos à mesma empresa atingiram R$ 14.915.154,77, considerando etapas e aditivos contratuais.
👉 Total já pago em dois anos: mais de R$ 57 milhões.
Apesar disso, quem passa pelo Morro das Antenas vê uma realidade incompatível com os números: a obra segue longe da conclusão, com grandes áreas ainda em terraplenagem, estruturas incompletas e intervenções concentradas em concreto e trilhas artificiais. Visualmente, o avanço não chega a 30%.
Impacto ambiental e escolha política
O Morro das Antenas é uma área ambientalmente sensível. O projeto já provocou supressão vegetal em larga escala, comprometendo drenagem natural, aumentando riscos de erosão, afetando a fauna local e elevando a temperatura da área. Tudo isso para sustentar um equipamento urbano voltado principalmente ao turismo de selfie e visibilidade institucional.
Enquanto isso, bairros inteiros convivem com o básico negado:
- Falta de água por dias ou até semanas
- Ruas esburacadas e sem pavimentação adequada
- Investimentos insuficientes em saneamento básico
Um exemplo recente ocorre no Park Carajás, onde moradores relatam falta de água desde a última sexta-feira. Em dezembro de 2025, bairros como Maranhenses, Nova Esperança e Avenida da Torre (antiga Rodoviária das Vans) ficaram mais de oito dias sem abastecimento regular, situação descrita como insustentável, especialmente para crianças e idosos.
Concreto no morro, água faltando em casa
Com uma fração dos recursos já destinados ao Mirante, seria possível perfurar poços artesianos, ampliar redes de distribuição ou implantar um plano mínimo de segurança hídrica. No entanto, a escolha da gestão é clara: priorizar obras simbólicas, de marketing urbano e paisagismo de alto custo, enquanto necessidades essenciais seguem sem resposta.
Em uma cidade rica em arrecadação graças à mineração, o Parque do Mirante deixa de ser apenas uma obra pública e passa a simbolizar uma decisão política objetiva: mais de R$ 57 milhões em concreto no morro, enquanto falta água nas torneiras da população.






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