Uma foto publicada nesta semana nas redes sociais da prefeita Josemira Gadelha levantou um alerta grave no cenário político local. A imagem, feita dentro da Prefeitura, mostra a prefeita ao lado de Roberto Andrade Moreira, apontado pelo MPPA/GAECO como — líder do núcleo político — da Operação Locus II.
Segundo a denúncia formal do GAECO/MPPA, Roberto Andrade foi afastado e exonerado por decisão judicial após a deflagração da operação, que apura organização criminosa, fraudes em licitações, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro no município. A própria peça acusatória descreve Roberto Andrade como líder do esquema, responsável por direcionar licitações, cobrar percentuais (entre 6% e 10%) sobre contratos e controlar pagamentos dentro da máquina pública. Provas incluem anotações de próprio punho de Roberto controlando repasses de R$1.105.092,00 apenas em fevereiro/2024, conversas de WhatsApp e apreensões de dinheiro em espécie.
Mesmo assim, a foto divulgada pela prefeita sugere reaproximação política com alguém que, por ordem judicial, não poderia mais exercer influência na administração. O registro não é casual: foi publicado pela própria chefe do Executivo, no interior do prédio público, e transmite a mensagem de que nada mudou — nem as pessoas, nem o comando informal do poder.
A contradição é direta. De um lado, a Justiça determinou o afastamento. Do outro, a imagem exposta nas redes sociais recoloca Roberto Andrade no centro do governo, reforçando a tese do MP de que ele segue como figura número 1 do grupo na organização criminosa em Canaã.
O episódio aprofunda a crise de credibilidade da gestão. Em vez de explicações públicas, a prefeita optou por normalizar a presença de um personagem central de uma das maiores investigações anticorrupção da história do município. Para a população, o recado é duro e direto: decisões judiciais afastam cargos, mas não o poder real.
Enquanto o MP descreve Canaã como uma “terra comprometida” pela corrupção estrutural, a imagem publicada pela prefeita confirma visualmente o que a denúncia já aponta em dezenas de páginas: o esquema mudou de forma, não de comando.
A população e os órgãos de controle devem cobrar explicações claras da prefeita Josemira Gadelha sobre o teor dessa reunião e as razões para manter proximidade com Roberto Andrade Moreira, mesmo após sua demissão e denúncia formal. A foto, publicada por ela própria, serve como prova irrefutável de que o “Cabeça da organização criminosa” ainda manda na cidade.
Provas incluem anotações de próprio punho de Roberto controlando repasses de R$1.105.092,00 apenas em fevereiro/2024, conversas de WhatsApp e apreensões de dinheiro em espécie.










