Josemira Gadelha autoriza novo aditivo milionário para empresa ligada a organização criminosa 

Facebook
WhatsApp

A Prefeitura de Canaã dos Carajás, sob comando da prefeita Josemira Gadelha (MDB), volta a protagonizar um episódio que levanta sérias dúvidas sobre compromisso com a moralidade administrativa. Mesmo com a Gonçalves Dias Engenharia Ltda. sendo apontada em investigação do GAECO/MPPA como integrante de uma organização criminosa que teria desviado cerca de R$ 1,5 bilhão dos cofres públicos, a Secretaria de Governo assinou mais um termo aditivo em favor da empresa.

O documento foi publicado no Diário Oficial dos Municípios nesta terça-feira (13) e prorroga por mais 12 meses a obra do Parque do Mirante – etapa Trilha do Mirante, localizada no acesso do Morro das Antenas, entre as avenidas Arnaldo Chagas e Weyne Cavalcante, dentro do programa “Construindo o Amanhã – Grandes Investimentos”.

Quem assina o aditivo é o secretário de GovernoAdam Carlos Amorim, que, ironicamente, também figura entre os investigados pelo GAECO por suposta participação no esquema criminoso. Mesmo assim, segue no cargo, intocado, como se nada estivesse acontecendo.

Blindagem política e silêncio da prefeita

Nos bastidores da política local, a leitura é direta: Adam Carlos é blindado pela prefeita Josemira Gadelha. A permanência dele no comando da Secretaria de Governo, mesmo após ser citado em investigações de alta gravidade, reforça a percepção de que há proteção política explícita.

A prefeita, até o momento, não se manifestou publicamente sobre o caso, não explicou a manutenção do secretário e tampouco justificou a continuidade de contratos e aditivos com uma empresa sob investigação criminal.

“Indústria de aditivos” e suspeita de propina

Segundo as investigações do GAECO, a Secretaria de Governo se transformou em uma verdadeira “indústria de aditivos”. Gravações autorizadas judicialmente revelam empresários afirmando que só conseguiam aditivos de valor mediante pagamento de propina ao secretário. Quem não “contribuía”, tinha o pedido sistematicamente negado.

O modus operandi se repete:

  1. Prorroga-se o prazo da obra;
  2. Em seguida, vêm aditivos generosos de valor, muitas vezes sem justificativa técnica consistente.

Parque do Mirante: R$ 60 milhões viraram quase R$ 150 milhões

A obra do Parque do Mirante começou em 2024, com custo inicial estimado em pouco mais de R$ 60 milhões. Desde então, aditivos sucessivos foram autorizados. Levantamentos indicam que já foram desembolsados cerca de R$ 138 milhões.

E o que se vê no local?

Basicamente remoção de terra e algumas colunas de concreto.

Engenheiros civis ouvidos pela reportagem são categóricos:

“Não há respaldo técnico plausível para tamanha despesa diante do estágio atual da obra.”

Ou seja, o dinheiro corre, mas a obra não anda.

Sem engenheiro na Secretaria de Governo

Outro ponto que escancara o amadorismo – ou algo pior – é o fato de a Secretaria de Governo não possuir sequer um engenheiro em seu quadro técnico para acompanhar e fiscalizar uma obra de grande porte e alta complexidade.

Isso levanta duas questões graves:

  • Quem está fiscalizando essa obra?
  • Com base em quê os pagamentos e aditivos estão sendo liberados?

Também há dúvidas sérias sobre a capacidade técnica e o acervo profissional da própria Gonçalves Dias Engenharia para executar um projeto dessa magnitude.

A empresa no centro do escândalo

E aqui entra o ponto mais sensível: a Gonçalves Dias Engenharia Ltda. não é uma empresa qualquer. Ela aparece de forma explícita na denúncia do GAECO como integrante do núcleo empresarial da organização criminosa que atuava dentro da Prefeitura de Canaã, com fraudes em licitações, medições fraudulentas, pagamentos de propina e desvio de recursos públicos.

O relatório do Ministério Público descreve um esquema estruturado, com participação de agentes públicos, empresários e políticos, voltado a direcionar licitações, inflar contratos e garantir repasses ilícitos. A empresa é citada em contratos que somam dezenas de milhões de reais, inclusive com anotações manuscritas de cobrança de percentuais (“acertos”) por parte de integrantes do núcleo político do esquema  .

Ou seja: não se trata de boato, é investigação formal, com provas, áudios, planilhas e quebras de sigilo.

Câmara Municipal: omissão total

Enquanto isso, a Câmara de Vereadores de Canaã dos Carajás segue em modo avião.

Nenhuma CPI.

Nenhuma audiência pública.

Nenhuma cobrança formal.

Nenhuma nota.

O Legislativo, que deveria fiscalizar, assiste passivamente ao que muitos já classificam como derramamento de dinheiro público.

E o Ministério Público local?

Diante desse cenário, cresce a expectativa de que o promotor Dr. Emerson Costa Oliveira instaure procedimento específico para apurar:

  • a continuidade de aditivos com empresa investigada;
  • a escalada de valores na obra do Parque do Mirante;
  • a ausência de fiscalização técnica adequada;
  • e a responsabilidade direta da gestão Josemira Gadelha por manter esse modelo de contratação.

A conta já se aproxima de R$ 150 milhões.

A obra não tem prazo real de conclusão.

E a prefeita segue em silêncio.

Perguntas que não querem calar

  • Por que a prefeita Josemira Gadelha mantém um secretário investigado no cargo?
  • Por que a gestão insiste em aditivos com uma empresa apontada pelo GAECO como parte de organização criminosa?
  • Quem está ganhando com essa obra que não anda?
  • Até quando Canaã vai bancar esse roteiro?

Em Canaã dos Carajás, parece que o dinheiro público corre mais rápido que a fiscalização. E, ao que tudo indica, a conta vai parar no colo do contribuinte.

Nos acompanhe no WhatsApp

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Siga o Canal PBS nas Redes