Em mais um ato que expõe a prioridade do governo Lula em proteger aliados políticos em detrimento dos aposentados e pensionistas, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) reativou nesta semana o Acordo de Cooperação Técnica com a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), entidade historicamente ligada ao PT e principal suspeita no maior escândalo de descontos indevidos na história recente da Previdência.
A decisão, publicada no Diário Oficial da União em 2 de junho de 2026, foi tomada pela presidente do INSS, Ana Cristina Viana Silveira, que reverteu a rescisão anterior do convênio. Enquanto milhares de aposentados rurais ainda esperam a devolução integral dos valores roubados, o governo Lula devolve à CONTAG acesso privilegiado aos beneficiários do INSS.
O papel central da CONTAG na “Farra do INSS”
A CONTAG não é uma coadjuvante no escândalo: ela é apontada como a entidade que mais se beneficiou do esquema bilionário de descontos irregulares em benefícios previdenciários. De acordo com investigações da Polícia Federal, Controladoria-Geral da União (CGU) e auditorias internas do próprio INSS, a confederação teria recebido cerca de R$ 2 a 3 bilhões entre 2016 e 2024 por meio de descontos associativos feitos em massa, muitas vezes sem autorização expressa dos aposentados.
Relatórios da PF indicam fortes indícios de que dirigentes da CONTAG enviaram listas com dezenas de milhares de benefícios (apenas em um lote foram 34.487 descontos irregulares) para que o INSS efetuasse as cobranças diretamente na folha de pagamento. Muitos aposentados rurais, idosos e vulneráveis, descobriram as deduções apenas ao ver o valor reduzido do benefício — um verdadeiro assalto institucionalizado.
A entidade também é acusada de usar parte desses recursos em viagens, imóveis e repasses suspeitos para federações ligadas. A PF chegou a questionar compras de imóveis por funcionárias da CONTAG logo após o período de maior “faturamento” com os descontos. Além disso, a CONTAG redigiu emendas parlamentares (muitas apresentadas por deputados e senadores do PT) para tentar enfraquecer medidas de combate às fraudes.
Proteção política acima dos aposentados
Apesar da gravidade das investigações — que já resultaram em operações policiais, quebras de sigilo e uma CPMI no Congresso —, o governo Lula optou por retomar o convênio. A CONTAG tem laços históricos profundos com o PT: seu ex-presidente foi irmão de deputado petista, e a entidade sempre atuou como braço sindical rural do partido.
Enquanto o Planalto posa de defensor dos mais pobres e anuncia devoluções parciais (que, na prática, ainda deixam muitos aposentados no prejuízo), a reativação do acordo permite que a CONTAG continue atuando junto aos beneficiários rurais — exatamente o público mais prejudicado pela farra.
Críticos, como o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), relator da CPMI do INSS, questionam: “Depois de bilhões desviados de aposentados e pensionistas, o governo Lula reativa o acordo de cooperação com a CONTAG. Quantos bilhões serão desviados desta vez?”
Essa decisão reforça a percepção de que, no governo Lula, a proteção a entidades aliadas fala mais alto que a defesa do patrimônio dos trabalhadores rurais que, ao longo da vida, contribuíram para o INSS. Enquanto isso, os verdadeiros donos do dinheiro — os aposentados — seguem esperando justiça de verdade.



