Enquanto o presidente Lula posa de salvador da Amazônia em fóruns internacionais, seu governo, por meio do ICMBio e da ministra Marina Silva, pratica o que ribeirinhos e pequenos produtores chamam de “escravização ambiental”: destrói moradias, proíbe o sustento e deixa famílias sem indenização há mais de duas décadas na Estação Ecológica da Terra do Meio, no Pará. A Comissão de Direitos Humanos do Senado virou palco de denúncias graves nesta terça-feira (10/3/2026), e os relatos expõem a hipocrisia petista: o mesmo governo que promete “regularização fundiária” e “dignidade aos povos da floresta” usa o pretexto de conservação para queimar casas e expulsar quem estava lá muito antes da unidade de conservação existir.
O caso mais chocante foi relatado pelo agricultor familiar Adevaldo Castro Alcântara, da Associação dos Produtores Rurais do Iriri e Moradores do Igarapé da Bala (Aprimiba). Sua propriedade na Vicinal Leão, dentro da Estação Ecológica da Terra do Meio (região do rio Iriri), foi queimada duas vezes pelo ICMBio. Sem indenização, sem aviso prévio digno e sem alternativa, Adevaldo hoje vive “embaixo de uma lona, na terra alheia”. Isso não é “desintrusão” de invasor: é destruição de moradia de quem ocupa o território há décadas, antes mesmo da criação da unidade em 2005.
Outros depoentes completam o quadro de terror burocrático:
- Valmira Jerônimo da Silva, ribeirinha com mais de 60 anos na região, implorou: “Queremos nossa tradição de volta”. As famílias se sentem “funcionárias do governo sem salário”, proibidas de produzir apesar de financiamentos do Banco da Amazônia.
- Marcelo Norkey Duarte Pereira denunciou a “escravização ambiental”: todas as atividades econômicas são vedadas (exceto pesquisa científica), enquanto escolas improvisadas pelas próprias comunidades ameaçam ruir.
- Edson Pereira de Souza e Wilmar Joaquim da Silva falaram em calamidade pública: falta saneamento, saúde e educação, e o ICMBio dificulta até reformas autorizadas por Termos de Compromisso.
A Estação Ecológica da Terra do Meio, com mais de 3 milhões de hectares transferidos da União sem consulta ou compensação aos moradores, virou prisão verde. O ICMBio se gaba de ter reduzido o desmatamento em 80%, mas omite que o preço é a miséria de quem planta, cria e extrai de forma tradicional. Há 204 processos de regularização fundiária parados. Enquanto isso, o governo federal transfere responsabilidade para prefeituras e estado, que não têm como atender.
Essa não é ação isolada. Na mesma região da Terra do Meio (abrangendo municípios como Altamira, São Félix do Xingu e arredores), o governo Lula intensificou operações de desintrusão em Terras Indígenas vizinhas (Apyterewa, Trincheira Bacajá, Kayapó), destruindo acampamentos, vilas e estruturas de centenas de famílias – muitas das quais alegam ser tradicionais ou assentadas há anos. Em Apyterewa, por exemplo, uma vila inteira com 210 casas foi desmontada. O discurso oficial é “combate ao garimpo e grilagem”, mas na prática atinge também quem vive da terra de forma legítima, sem diálogo ou indenização justa.
Senadores como Zequinha Marinho (autor do requerimento), Jorge Seif e Damares Alves classificaram os relatos como graves violações de direitos humanos. A audiência recomendou diligência in loco e cobrança ao CNJ. Mas o governo Lula, ausente ou representado por defensores do “comando e controle” ideológico, segue priorizando ONGs internacionais e fanatismo ambiental em vez de gente real.
Mais de duas décadas de insegurança jurídica, falta de indenização e restrições que comprometem o sustento. Comunidades que ocupavam o território muito antes da criação da unidade de conservação são hoje ignoradas e desrespeitadas pelo Estado. É urgente regularizar a terra, indenizar quem perdeu tudo e devolver dignidade a quem produz na Amazônia.
O governo Lula não protege a floresta: ele a usa como desculpa para destruir vidas. Enquanto ribeirinhos da Vicinal Leão e do Igarapé da Bala dormem embaixo de lonas, o Palácio do Planalto celebra “vitórias ambientais”. A Amazônia real chora.



