Enquanto mira o Governo do Pará, Dr. Daniel é alvo de investigação por corrupção, lavagem e organização criminosa em esquema milionário com avião e fazendas

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Enquanto posa de pré-candidato ao Governo do Pará com pesquisas infladas e discurso de gestor eficiente, o prefeito afastado (e depois reconduzido por manobras jurídicas) de Ananindeua, Daniel Barbosa Santos (Dr. Daniel), acumula indícios graves de corrupção passiva, concussão, fraude em licitações, lavagem de capitais e organização criminosa. A decisão monocrática do Desembargador Pedro Pinheiro Sotero, do TJPA, no Procedimento Investigatório Criminal nº 0813955-30.2025.8.14.0000, é um divisor de águas que desnuda o que o MPPA classifica como um verdadeiro “esquema sistêmico de desvio de verbas públicas”.

O relatório do Ministério Público do Pará, com mais de 300 páginas, detalha um cardápio de luxos pagos com dinheiro público: parcelas de aeronave particular quitadas por empresas contratadas pela Prefeitura (como DSL Construtora e Edifikka, de Danillo Linhares), fornecimento de diesel para fazenda em Tomé-Açu, aquisição de retroescavadeira, e até pagamentos parcelados na compra de um complexo de fazendas avaliado em R$ 16 milhões. Tudo isso enquanto empresas ligadas aos investigados faturavam mais de R$ 115 milhões em contratos suspeitos de direcionamento.

Fraudes que Cheiram a Cartel

Cláusulas restritivas nos editais, publicidade precária (obrigando interessados a irem fisicamente à Prefeitura), exigências absurdas de alvarás e licenças, e até uso de “testas de ferro” como o enteado de Manoel Palheta Fernandes (membro da Comissão de Licitações). Palheta, aliás, recebia PIX diretos das empresas vencedoras — R$ 10 mil e R$ 3 mil documentados, em datas próximas a repasses da Prefeitura.

O secretário Paulo Roberto Cavalleiro de Macedo aparecia em áudios orientando a “ajeitar” contratos antes de uma “bomba grande”. A bola da vez? As construtoras de Danillo Linhares, que praticamente monopolizaram obras na SESAN.

Reportagens do Fantástico e outros veículos nacionais já ligaram o esquema a uma mansão de luxo no litoral do Ceará e a outros bens em nome de interpostas pessoas. O MP fala em enriquecimento ilícito explícito: o prefeito usando o cargo para exigir “vantagens” de quem queria continuar faturando com a máquina pública.

O desembargador indeferiu a prisão preventiva, mas definiu o afastamento por 6 meses de Daniel, Palheta e Macedo — medida depois contestada e revertida em instâncias superiores. Bloqueios patrimoniais milionários foram determinados via SISBAJUD, RENAJUD e CNIB, atingindo pessoas físicas e jurídicas ligadas ao esquema (valores consolidados chegam a dezenas de milhões por alvo).

Dr. Daniel renuncia à Prefeitura em abril de 2026 para disputar o Governo do Estado, mantendo-se como forte nome em pesquisas — muitas vezes como “alternativa” a grupos tradicionais. Mas a cronologia é incômoda: afastamento em agosto de 2025, denúncia do MPPA em outubro de 2025, idas e vindas no STJ e STF (com Alexandre de Moraes autorizando retomada das investigações em março de 2026), e agora ele surfando na imagem de “perseguido político”.

O eleitor paraense precisa saber: o mesmo gestor que promete “novo Pará” teve sua administração marcada por indícios robustos de que contratos públicos viraram extensão de conta-corrente particular. Favorecimento a poucas empresas, propinas disfarçadas de parcelas de avião e diesel para fazenda, obstrução de investigação (tentativa de forjar documentos com testemunhas) e um modus operandi que o MP classifica como organização criminosa.

Pergunta que não quer calar: pode alguém com esse volume de indícios graves aspirar ao comando do Executivo estadual sem prestar contas claras à sociedade? O Judiciário segue seu curso — com bloqueios, buscas e denúncias já oferecidas. A opinião pública, no entanto, não pode ser anestesiada por marketing político. Transparência e memória são essenciais. O Pará merece mais do que repeteco de velhas práticas com novo rótulo.

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