Enquanto a população enfrenta problemas básicos, Câmara de Parauapebas torra R$ 1,1 milhão em serviços de limpeza.

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Enquanto a população de Parauapebas enfrenta desafios diários como saúde precária, educação deficitária e infraestrutura deficiente, a Câmara Municipal, presidida pelo vereador Anderson Moratório, não hesita em empenhar R$ 1.161.241,80 em serviços de limpeza, conservação e higienização do prédio-sede. O empenho global nº 30040063, datado de 30 de abril de 2026, foi destinado à empresa EBENEZER OBRAS E SERVIÇOS LTDA (CNPJ 41.396.163/0001-12), de Marabá. 

O documento oficial, atualizado em 14/05/2026, classifica a despesa como “Outros serviços de terceiros – pessoa jurídica”, vinculada à “Manutenção das Ações Legislativas” e ao programa “Atuação Transparente da Câmara Municipal”. O histórico menciona o Contrato 20269019. Trata-se de um empenho do tipo “Global”, via Pregão, para supostamente manter o prédio da Casa Legislativa limpo. 

Questionamentos que não param de surgir

•  Valor astronômico para limpeza? Mais de um milhão de reais para limpar um prédio que, em tese, já conta com estrutura própria de servidores e manutenção. Em um município com milhares de famílias em vulnerabilidade, esse montante poderia ser realocado para ações diretas à população.

•  Empresa de fora: A contratada tem sede em Marabá, não em Parauapebas. Por que não priorizar empresas locais que gerariam emprego e circulariam recursos na economia do município?

•  Transparência seletiva: O site da Câmara divulga o empenho, mas a população segue sem respostas claras sobre o detalhamento dos serviços, quantidade de profissionais envolvidos, duração do contrato e critérios que justificam esse alto valor.

Anderson Moratório, assumiu a presidência prometendo agilidade e transparência. No entanto, gastos como esse alimentam a percepção de que a “Casa do Povo” está mais preocupada em manter o próprio conforto do que em fiscalizar o Executivo ou aprovar projetos que realmente melhorem a vida dos parauapebenses. 

Em tempos de crise econômica e cobrança por austeridade, um empenho dessa magnitude para “serviços de limpeza, conservação e higienização” soa, no mínimo, desproporcional. A oposição e a sociedade civil precisam cobrar: onde está a real fiscalização? Quantos outros empenhos semelhantes estão sendo feitos sem o devido escrutínio público?

A Câmara de Parauapebas tem o dever de dar exemplo. Gastar mais de um milhão em limpeza enquanto muitas famílias lutam pelo básico não parece ser o caminho da “Atuação Transparente” que o próprio empenho menciona. É hora de explicações claras e, principalmente, de prioridade ao interesse público.

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