Empresas investigadas pelo MP faturaram mais de R$ 6,5 milhões em Tucuruí em 2026, enquanto prefeito cassado por compra de votos articula candidatura da esposa

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Em mais um capítulo do escândalo de improbidade que envolve o prefeito Alexandre França Siqueira (e sua base na Câmara), quatro empresas continuam faturando milhões nos cofres da Prefeitura de Tucuruí em 2026 — mesmo após integrarem a denúncia do Ministério Público do Pará que acusa o gestor e vereadores de desvio de recursos, propina e favorecimento indevido.

Os documentos oficiais de despesas (empates e pagamentos) de janeiro a junho de 2026 revelam o seguinte:

  • R. J. COMÉRCIO DE ALIMENTOS E SERVIÇOS LTDA (CNPJ 29.563.124/0001-67): Mais de R$ 1,5 milhão só em merenda escolar e produtos de limpeza/higienização para saúde e educação. Múltiplos empenhos em fevereiro e março.
  • A R GONÇALVES EIRELI (CNPJ 22.802.226/0001-49): Quase R$ 4,37 milhões em serviços médicos para UPA, Hospital Municipal, SAMU, CAPS e Atenção Básica. Pagamentos recorrentes em maio.
  • SHOPPING DO FERRO CONSTRUÇÕES EIRELI: R$ 484 mil em materiais de construção, ferramentas e EPIs para reparos em escolas e instalações públicas.
  • VERONICA ALVES SOCIEDADE INDIVIDUAL DE ADVOCACIA: R$ 133 mil em consultoria jurídica por inexigibilidade de licitação.

Essas empresas seguem recebendo recursos públicos enquanto o MPPA acusa Alexandre Siqueira de liderar esquema de corrupção via empresas como Planeta Transportes (controlada por “laranjas”, com desvios milionários, pagamento de helicóptero pessoal, despesas familiares e propina a vereadores). A denúncia detalha repasses diretos ou indiretos dessas e de outras contratadas ao prefeito, seu irmão Adriano e aliados.

“Cassado” no papel, intocável na prática

Alexandre Siqueira foi alvo de ação cautelar de afastamento por improbidade, junto a secretários e vereadores como Weber Galvão, Rodrigo Nunes, Rosalvo, Ilma do Nenêo, Daivyson (Free Way), Fábio Ulisses, Albert Lobato, Vieira e Titonho — muitos da base que sustentou manobras para mantê-lo no cargo apesar de suposta cassação por compra de votos. A Justiça indeferiu o afastamento liminar, citando impacto eleitoral e ausência de “contemporaneidade” extrema dos fatos, priorizando estabilidade administrativa.

Enquanto isso, “jeitinhos jurídicos” e apoio da Câmara garantem a permanência. Vereadores investigados na mesma denúncia ajudam a blindar o prefeito — o mesmo que, segundo o MP, usava a máquina pública para repassar propina mensal a aliados políticos.

Cidade abandonada, família em campanha

Tucuruí, rica em royalties da hidrelétrica, apresenta ruas esburacadas, saúde precária (dependente de contratos emergenciais com essas empresas), educação com merenda terceirizada e infraestrutura em colapso. O descaso contrasta com o esforço do prefeito em promover a imagem da esposa como candidata a deputada federal.

O esquema persiste: empresas ligadas ao radar do MP seguem contratações milionárias via pregões e inexigibilidades, enquanto a população paga a conta com serviços ruins e transparência zero.

Até quando a Justiça e o TCM/PA vão permitir que Tucuruí seja tratada como propriedade particular? O Ministério Público tem o dever de avançar na ação principal de improbidade. A população merece respostas — e resultados, não apenas mais contratos para os mesmos de sempre.

Até quando, Alexandre Siqueira? Nossa Tucuruí merece mais que continuidade de um suposto esquema que drena recursos enquanto a cidade definha.

Fonte: Extratos oficiais de despesas da Prefeitura de Tucuruí e documentos do MPPA. Fontes públicas disponíveis para consulta.

Empresas citadas na denúncia continuam faturando milhões com a Prefeitura de Tucuruí:

Veja completo pelo portal de transparência aqui

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