Enquanto o prefeito de Tucuruí, Alexandre Siqueira (MDB), coleciona processos no Tribunal Regional Eleitoral por compra de votos e abuso de poder, e enfrenta pedido de afastamento do Ministério Público por atos de improbidade administrativa, a Prefeitura segue irrigando com milhões os cofres de uma empresa que está no centro das investigações.
Documentos oficiais de despesas públicas mostram que a RJ Comércio de Alimentos e Serviços LTDA, ligada a Pearl Gedeon Carneiro de Moraes, já recebeu mais de R$ 18 milhões dos cofres municipais entre 2021 e 2025.
E não estamos falando de troco. É dinheiro grosso, recorrente e espalhado por praticamente todas as secretarias.
Os números não mentem
Levantamento com base em registros oficiais da Prefeitura de Tucuruí revela:
- 2021: R$ 1.211.852,61 pagos à RJ Comércio TC MPPA 4
- 2022: R$ 2.145.282,76 TC MPPA 3
- 2023: R$ 3.509.689,13 TC MPPA 2
- 2024: R$ 7.126.362,08 TC MPPA
- 2025 (parcial): R$ 4.468.312,35 TC MPPA 5
Total já identificado: R$ 18.461.499,93.
Essa escalada financeira não passa despercebida. O MPPA, em ação civil pública protocolada em 2024 (Processo nº 082024.00002560-0), acusa a empresa de irregularidades em contratos com a prefeitura, incluindo sobrepreços e favorecimentos indevidos. Apesar disso, Siqueira segue assinando novos acordos, ignorando as recomendações de transparência e as suspeitas de conluio. “É um mistério digno de ficção, mas com consequências reais para os contribuintes de Tucuruí”, critica um promotor envolvido nas apurações, que preferiu não se identificar. “Como justificar que uma única empresa, sob escrutínio judicial, domine tantos setores da administração municipal? Isso cheira a propina ou pior.”
A R. J. Comércio aparece em praticamente todos os fundos municipais – da Assistência Social à Educação e Saúde –, sempre com históricos de “aquisição de materiais para atender demandas urgentes”. Mas onde está a urgência em contratos que se repetem mês a mês, ano a ano? Em uma cidade com graves problemas de infraestrutura, como falta de saneamento e precariedade nas escolas, gastar mais de R$ 18 milhões com uma empresa questionada parece não só ineficiente, mas deliberadamente suspeito. O prefeito, por sua vez, evita comentários diretos, limitando-se a notas oficiais que defendem a “legalidade dos processos licitatórios”.
Enquanto o TRE julga os cassação de mandato e o MPPA avança nas investigações, os cidadãos de Tucuruí pagam a conta. Será que o hobby de Siqueira por polêmicas vai custar ainda mais aos cofres públicos? Ou é hora de o Judiciário intervir e pôr um fim nesse banquete de contratos? A resposta, infelizmente, parece depender mais de canetas políticas do que de justiça real.
Em qualquer gestão minimamente responsável, empresa investigada vira risco jurídico.
Em Tucuruí, ao que tudo indica, vira fornecedora preferencial.
Fonte: Processo nº 082024.00002560-0










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