Davi Alcolumbre barra instalação de CPMI do Banco Master mesmo com assinaturas suficientes no Congresso

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O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), recusou-se nesta quinta-feira (21 de maio de 2026) a ler os requerimentos para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar o caso Banco Master. Durante sessão conjunta do Congresso convocada para analisar vetos à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, Alcolumbre afirmou que a prerrogativa de instalar a CPMI pertence à Mesa Diretora da Casa. 

Segundo o presidente do Congresso, a leitura de requerimentos para criação de CPMIs é um ato discricionário, com base no Regimento Interno do Senado (artigo 156, §2º, e artigo 214). Ele indeferiu questões de ordem apresentadas por parlamentares de diferentes espectros políticos, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e deputados do PT, como Lindbergh Farias

Contexto do caso Banco Master

O escândalo envolve denúncias de fraudes financeiras, supostas irregularidades em operações do banco liquidado e relações políticas com figuras de diferentes grupos. O banqueiro Daniel Vorcaro, sócio-fundador do Banco Master, é o principal nome citado nas investigações. Parlamentares argumentam que a CPMI é necessária para esclarecer possíveis conexões com poderes da República. 

Vários requerimentos de CPMI já alcançaram o número mínimo de assinaturas (171 deputados e 27 senadores), com alguns superando em muito esse patamar — um deles chegou a 280 assinaturas. Apesar disso, a instalação depende da leitura do requerimento em sessão do Congresso, o que ainda não ocorreu. 

Durante a sessão de quinta-feira, parlamentares da oposição e até membros da base aliada ao governo Lula cobraram a instalação imediata da comissão. Flávio Bolsonaro, que aparece em conversas gravadas com Vorcaro (mas nega irregularidades), defendeu a investigação. Deputados do PT também se manifestaram a favor da CPMI, embora haja divisões internas. 

Alcolumbre priorizou a análise dos vetos e manteve a posição de que o momento da leitura cabe a ele como presidente.

O episódio intensifica o debate sobre o papel do Congresso na fiscalização de grandes escândalos financeiros. Críticos acusam Alcolumbre de postergar a investigação por razões políticas, especialmente em ano eleitoral. Defensores da decisão argumentam que o Regimento Interno dá margem discricionária à presidência para organizar a pauta.

O caso Banco Master continua gerando desdobramentos na Polícia Federal e no Supremo Tribunal Federal, com parlamentares de diversos partidos sinalizando que devem continuar pressionando pela abertura da CPMI. 

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