Mais uma vez, eles batem à sua porta. Com sorrisos ensaiados e promessas reluzentes, os mesmos rostos familiares da política surgem nas ruas de Parauapebas, vendendo sonhos que, como bolhas de sabão, estouram ao primeiro toque da realidade.
Estamos em 2026, ano de eleições federais e estaduais, e o ciclo se repete: deputados e aliados do ex-prefeito Darci Lermen, que governou a cidade por quatro mandatos, voltam a pedir votos, ignorando o rastro de decepções deixado para trás. Mas basta olhar ao redor – esgotos a céu aberto, saúde precária e uma infraestrutura que envergonharia qualquer “capital do minério” – para ver que as palavras bonitas nas redes sociais não passam de maquiagem para uma cidade afogada em problemas.
Parauapebas, essa joia bruta do Pará, é uma das cidades mais ricas do Brasil graças à mineração. Em 2024, arrecadou impressionantes R$ 1,295 bilhão apenas em royalties da atividade mineral, um montante que poderia transformar qualquer município em modelo de desenvolvimento.

No entanto, onde está o reflexo dessa riqueza nas ruas?
Projetos como o de saneamento ambiental e macro drenagem dos igarapés do rio Parauapebas existem no papel, mas a realidade é outra: esgotos correndo a céu aberto, expondo a população a riscos de doenças e contaminando o ambiente.
A saúde, por sua vez, é precária – uma ironia cruel para uma “cidade bilionária” que ainda lida com problemas típicos de vilarejos isolados, como falta de acesso a tratamentos de qualidade e infraestrutura hospitalar insuficiente.

E quem são esses “representantes” que agora pedem mais uma chance? Vamos aos fatos. O ex-prefeito Darci José Lermen, do MDB, que assumiu seu quarto mandato em 2021 após receber 48,42% dos votos, deixou um legado questionável. Suas contas referentes a 2020, 2021 e 2022 foram reprovadas pela Câmara Municipal de Parauapebas em dezembro de 2024, sinalizando irregularidades que merecem escrutínio.

Aliado fiel de Darci, o deputado federal Keniston Braga, também do MDB, que se gaba de 40 anos de vida pública, foi secretário de governo durante sua gestão e elegeu-se em 2022 com expressivos 52.088 votos na cidade – o maior número em Parauapebas.
Keniston, nascido em Abaetetuba mas adotado politicamente por Parauapebas, representa o Pará na Câmara dos Deputados, mas o que trouxe de concreto para resolver os gargalos locais?

Do lado estadual, o deputado Ivanaldo Braz, do PDT – partido diferente, mas que chegou à Alepa com o apoio decisivo de Darci, como se sussurra nos bastidores políticos – também faz parte dessa rede de alianças. Em 2022, Braz foi o mais votado para deputado estadual na cidade, mas o alinhamento triplo (prefeito, deputado federal e estadual) durou dois anos sem resultados palpáveis.
Esses políticos, apadrinhados e alinhados, tiveram a chance de transformar Parauapebas. Com recursos bilionários fluindo dos royalties – que deveriam impulsionar indicadores socioambientais, mas frequentemente se perdem em ineficiências – a cidade poderia ter saneamento universal, saúde de ponta e infraestrutura digna.
Em vez disso, vemos uma dependência extrema da mineração, que, como uma espada de dois gumes, enche os cofres mas não resolve os problemas crônicos. Os vídeos bonitos nas redes sociais de Darci, Keniston e aliados mostram ações e anos de vida pública, mas a rua conta outra história: uma população que convive com o esgoto, filas intermináveis nos postos de saúde e promessas que não cabem no orçamento ou simplesmente não são viáveis.
É hora de questionar: por que dar mais um mandato a quem já falhou? As eleições de 2026 não são sobre sonhos impossíveis, mas sobre responsabilidade.
Parauapebas merece representantes que priorizem ações concretas, não discursos vazios. Antes de abrir a porta para esses vendedores de ilusões, olhe para a cidade – e vote com os olhos abertos.



