O relatório final da CPI do Crime Organizado, apresentado nesta terça-feira (14) pelo relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), traz indícios de exploração sexual e tráfico internacional de pessoas em eventos promovidos pelo banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
De acordo com o documento, Vorcaro admitiu, em mensagens trocadas com a ex-noiva Martha Graeff, ter organizado cerca de 300 eventos desse tipo, que faziam parte de seu “business”. O texto afirma que as festas contavam com a participação de autoridades e envolviam mulheres estrangeiras.

Os indícios foram obtidos a partir de aproximadamente 400 gigabytes de arquivos extraídos do celular e do armazenamento em nuvem de Vorcaro, acessados pela CPMI do INSS. O material inclui vídeos de teor íntimo, imagens de passaportes de mulheres estrangeiras e registros de festas privadas realizadas em Brasília e em Trancoso (BA).
O relatório destaca que há elementos sugestivos de crimes de tráfico internacional de pessoas e exploração sexual, especialmente pelas condições de recrutamento, transporte e hospedagem das mulheres envolvidas.

Pedidos de indiciamento de autoridades
Além das revelações sobre as festas, o relatório de 220 páginas pede o indiciamento por crimes de responsabilidade de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) — Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes — e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Os pedidos estão ligados ao caso Banco Master e envolvem supostas suspeições em julgamentos, conflitos de interesse e omissões. Entre os pontos citados:
• Relações empresariais e sociais entre a família de Toffoli e estruturas ligadas a Vorcaro;
• Contrato do escritório de advocacia da esposa de Moraes com o Banco Master;
• Decisões que teriam interferido nas investigações da CPI.
O texto também sugere alterações legislativas para combater o crime organizado e critica limitações impostas à comissão durante os trabalhos.
Próximos passos
O relatório será votado ainda nesta terça-feira (14), último dia de funcionamento da CPI. Se aprovado, o documento será encaminhado ao Ministério Público Federal e a outras instâncias competentes.
Daniel Vorcaro está preso preventivamente desde março, alvo de investigações da Polícia Federal que envolvem fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e outras irregularidades no Banco Master.
A CPI do Crime Organizado, instalada há cerca de 120 dias, encerra seus trabalhos com foco no avanço do crime organizado sobre instituições e estruturas financeiras no Brasil.



