Cofres de Canaã seguem alimentando organização criminosa enquanto Josemira prepara candidatura do marido a deputado

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Canaã dos Carajás, uma das cidades mais ricas do Brasil graças à mineração, continua a oferecer aos seus moradores uma realidade de descaso impressionante: ruas esburacadas que comprometem a mobilidade e a segurança, esgoto a céu aberto em diversos bairros, falta de água, problemas crônicos em postos de saúde e infraestrutura básica incompatível com o volume de recursos que entra nos cofres públicos. Enquanto isso, a prefeita Josemira Gadelha (MDB) e seu grupo político dedicam esforços intensos para emplacar a imagem do marido, Eugênio Gadelha — ex-secretário de Obras —, como candidato a deputado estadual nas próximas eleições.

Nas redes sociais e em outdoors espalhados pela cidade, o ex-secretário é vendido como solução e herdeiro natural de uma suposta “gestão de resultados”. Eugênio deixou o cargo de secretário de Obras, mas o marketing não para. O contraste é gritante: enquanto se investe em propaganda política, a população convive diariamente com a falta do básico em uma cidade que deveria ser referência de prosperidade.

O cenário torna-se ainda mais grave quando se analisa os contratos firmados pela gestão. Mesmo após a Operação Locus II – Fase Terra Comprometida, deflagrada pelo GAECO/MPPA que desvendou um robusto esquema de organização criminosa envolvendo fraudes em licitações, medições fraudulentas, cobrança de propina de 6% a 10% e desvio de centenas de milhões de reais, a prefeitura segue contratando as mesmas empresas apontadas pelo Ministério Público.

De acordo com denúncias e levantamentos recentes, pelo menos 21 empresas ligadas ao esquema continuaram recebendo pagamentos vultosos. Somente em 2026, a gestão Josemira Gadelha repassou mais de R$ 95 milhões a esses grupos, apesar das acusações de frustração ao caráter competitivo das licitações, corrupção ativa e passiva, e lavagem de capitais. A Operação Locus II cumpriu dezenas de mandados de busca e apreensão, revelando uma estrutura criminosa atuante na cidade, com núcleos político, técnico e empresarial articulados.

Perguntas incômodas não podem ser silenciadas:

  • Qual o real interesse da prefeita em manter essas empresas no fluxo de contratos milionários, mesmo após a ação do GAECO/MPPA?
  • Essas mesmas empresas, acusadas de integrar uma organização criminosa, seriam as que irão “apoiar” o projeto político de Eugênio Gadelha para a Assembleia Legislativa?
  • Por que priorizar a perpetuação de um esquema que drena recursos públicos em uma cidade bilionária, enquanto a população sofre com serviços essenciais inexistentes ou precários?

A Operação Locus 2 expôs um modelo perverso: licitações direcionadas, medições superfaturadas (empresas recebem mais do que entregam) e propinas sistemáticas. Apesar disso, a gestão atual parece não ter rompido com esse passado — ao contrário, segue alimentando os mesmos atores.

Canaã dos Carajás merece mais do que propaganda familiar e continuidade de práticas questionáveis. A população, que paga impostos e vê a riqueza mineral sendo extraída de seu território, tem o direito de cobrar resultados concretos: asfalto de qualidade, saneamento básico universal, água na torneira, saúde e educação à altura da arrecadação bilionária. Não mais discursos e outdoors enquanto o dinheiro público escoa por canais suspeitos.

É hora de transparência total, auditorias independentes e, acima de tudo, prioridade à população — não ao projeto político de um grupo familiar. Até quando o descaso vai prevalecer em uma das cidades mais ricas do país? A sociedade e as instituições precisam cobrar respostas.

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