O Banco do Estado do Pará (Banpará) entrou no foco de órgãos federais e do mercado financeiro ao confirmar que aportou cerca de R$ 95,6 milhões no FIDC Rover, fundo de investimento em direitos creditórios administrado pela Reag Trust DTVM, instituição que teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central (BC) em 15 de janeiro de 2026 após se tornar alvo de investigações da Polícia Federal e do Ministério Público por graves irregularidades no sistema financeiro.
Os aportes — feitos em duas etapas (R$ 50 milhões em outubro de 2024 e R$ 40 milhões em agosto de 2025) — foram registrados antes da liquidação da Reag, mas com a valorização das cotas o montante aplicado pelo banco estatal acabou chegando a R$ 95,6 milhões no fechamento do último exercício.
A Reag Trust foi colocada em liquidação pelo Banco Central com base em graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional, e seus fundos — incluído o Rover — são agora geridos sob um regime de transição, com possibilidade de indicação de nova administradora ou eventual liquidação de ativos.
O caso ganhou proporções maiores no país após revelações de que a gestora esteve envolvida em esquemas associados ao extinto Banco Master, que já havia sido liquidado pelo BC em novembro de 2025 em meio a investigação da Operação Compliance Zero da Polícia Federal, que apura fraudes e manipulação de ativos no sistema financeiro.
Internamente, parte de servidores do Banpará teria manifestado inquietação com o volume aplicado em um fundo administrado por uma instituição que entrou no radar policial e regulatório, apesar de a direção do banco afirmar que o aporte foi feito de forma técnica e antes da liquidação da Reag.
O episódio levanta questionamentos políticos e de governança, principalmente por envolver recursos de um banco público estadual investidos em um fundo ligado a uma gestora que agora enfrenta uma das maiores crises regulatórias recentes do país — um reflexo dos riscos sistêmicos associados à quebra de grandes players no mercado e da necessidade de maior transparência na aplicação de recursos públicos.



