Enquanto a população do Bairro Cidade Jardim continua atolada em lama, buracos e esgoto a céu aberto, os cofres públicos sangram. Dados oficiais da Prefeitura Municipal de Parauapebas revelam que, só entre 2025 e os primeiros meses de 2026, foram pagos R$ 41.582.662,06 a apenas dois contratados para obras de drenagem e pavimentação no bairro.
O Consórcio Vitória (CNPJ 46.111.591/0001-75) recebeu R$ 29.229.550,51 em 2025 para “construção de redes de drenagens e pavimentação com CAUQ nas etapas 2ª, 7ª e 8ª”. A LACA Engenharia Ltda (CNPJ 63.873.012/0001-40) embolsou R$ 12.353.111,55 no mesmo ano e mais R$ 1.007.828,15 em janeiro de 2026 para a 4ª etapa – tudo com o mesmo discurso oficial: “melhoria da qualidade de vida”.
Na prática? Ruas que a Prefeitura jurava “entregues” já estão desmanchando. O asfalto cede, os buracos reaparecem em semanas e o esgoto corre por cima do pavimento.
Medições apontam que o asfalto, que o contrato previa com 7 cm de espessura, chega a ter apenas 4,5 cm nos pontos mais “grossos” – quase 40% a menos do que o projetado. Resultado: ruas como a C-2 desmanchando em menos de 30 dias após “entrega”.
O exemplo mais escandaloso é a Avenida B. Em junho de 2025, o próprio prefeito Aurélio Goiano posou como fiscal rigoroso, apareceu em vídeo cobrando qualidade e posando ao lado das máquinas. Meses depois, a mesma avenida está cravejada de buracos abertos, rachaduras e afundamentos. Moradores gravam vídeos diários: “O prefeito veio aqui fiscalizar… hoje parece que nunca teve obra”.
E a drenagem? “Só existe no contrato”, dizem os moradores. Nas ruas recém-asfaltadas, o esgoto continua subindo e escorrendo por cima do asfalto. “Na internet é bairro em reconstrução. Na vida real é lama, buraco e esgoto na porta de casa”, resume a crítica que ecoa nas redes.
Enquanto isso, a Prefeitura divulga releases celebrando “avanços” e “Operação Buraco Zero”. Mas a realidade filmada por moradores e fiscalizada pela oposição mostra o oposto: obras paralisadas por decisão judicial, aditivos milionários questionados e recursos que parecem evaporar antes de chegar ao chão.
Para onde foi esse dinheiro todo? A pergunta que ecoa em todo o Cidade Jardim. Mais de R$ 41 milhões pagos – e o bairro continua exatamente como antes: com asfalto de mentira, drenagem de papel e uma população cansada de promessas que afundam junto com as ruas.
A gestão Aurélio Goiano precisa explicar: ou o dinheiro está sendo mal aplicado, ou a obra nunca foi feita de verdade. Enquanto não houver resposta, o prejuízo continua sendo da população – que paga duas vezes: com impostos e com o carro batendo em buraco.

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