Após prometer em campanha a realização de concursos públicos anuais para reduzir a dependência de contratos temporários, o prefeito Aurélio Goiano (Avante) assumiu a gestão de Parauapebas e rapidamente seguiu o caminho oposto: explodiu as contratações irregulares, inflou a máquina pública e violou repetidamente a legislação.
O Tribunal de Contas dos Municípios do Pará (TCM-PA) foi obrigado a intervir. Diante das irregularidades — contratações temporárias sem processo seletivo adequado, excesso de cargos comissionados e descontrole na folha de pagamento —, a Prefeitura firmou um Termo de Ajustamento de Gestão (TAG) com o órgão de controle. O acordo tinha prazos claros para regularização.
No entanto, fiel ao seu estilo, Aurélio Goiano descumpriu o que havia pactuado. O TAG nº 001/2025 foi ignorado, novos Processos Seletivos Simplificados (PSS) foram lançados mesmo com recomendações contrárias do Ministério Público, e o número de temporários saltou de forma preocupante (de 5.122 em janeiro para 5.981 em março de 2026, segundo dados do próprio TCM).
Agora, pressionado pela Lei e pelo Tribunal, o prefeito é forçado a fazer demissões em massa. O mais grave: a tesoura recai justamente sobre as áreas que atendem crianças e a população mais humilde — Educação e serviços essenciais. Enquanto isso, os cargos comissionados de alto escalão, geralmente ocupados por aliados políticos que servem para “baba” e sustentação da gestão, parecem intocáveis.
Essa escolha não é técnica. É política e revela prioridades claras: proteger o núcleo de poder e eleitorado cativo, sacrificando quem está na ponta do serviço público.
A tentativa de transferência de culpa
Em uma manobra previsível, páginas e militantes ligados à gestão tentam jogar a responsabilidade nas costas de vereadores de oposição. Publicam vídeos oficiais afirmando que as demissões decorrem de “ação de parlamentar oposicionista”.
A narrativa é falsa e cínica. Quem descumpriu o TAG, expandiu contratações irregulares e ignorou alertas do TCM e do MP foi o próprio Aurélio Goiano. Vereadores da oposição apenas cumprem seu papel fiscalizador, denunciando o que o prefeito insiste em esconder.
O descumprimento sistemático de prazos, a criação de centenas de cargos comissionados logo no início da gestão e a falta de transparência não são “herança” ou “culpa da oposição”. São escolhas deliberadas de uma administração que, desde o primeiro dia, priorizou o apadrinhamento em detrimento da legalidade e da eficiência.
Parauapebas merece mais que um gestor que promete concursos e entrega demissões seletivas. Merece responsabilidade, transparência e respeito aos servidores que atendem a população carente. No momento, o que se vê é o oposto: um prefeito que, ao ser cobrado, escolhe cortar na carne de quem menos pode.



