Mais uma vez, os números da transparência municipal expõem o abismo entre o discurso da gestão Aurélio Goiano e a realidade sofrida pela população. Enquanto a cidade enfrenta ruas intrafegáveis após chuvas, esgoto a céu aberto, saúde precária e falta de infraestrutura básica, a Prefeitura gastou R$ 889.700,00 só em diárias e R$ 2.493.593,71 em passagens e locomoção nos primeiros meses de 2026.
Os documentos oficiais revelam uma verdadeira farra: servidores e secretários viajam para Brasília, Belém e outros destinos com diárias de até R$ 7 mil ou mais por pessoa, muitas vezes para “fóruns”, “encontros” e “mobilizações nacionais”. Exemplos recentes incluem:
- Servidores da Secretaria de Desenvolvimento e Obras com 4,5 a 20,5 diárias para Brasília e Ourilândia do Norte (valores de R$ 1.575 a R$ 7.175 por viagem).
- Múltiplas viagens a Brasília para o “XI Fórum Nacional” e Marcha em Defesa dos Municípios.
- Diárias generosas para educação, cultura e outros setores, muitas vezes com justificativas genéricas.
No total, o montante em diárias ultrapassa R$ 889 mil só no período analisado. Já as passagens, concentradas em empresas como WC Viagens e J.L.P. Santos, somam quase R$ 2,5 milhões, com grandes empenhos para agenciamento aéreo e rodoviário.
TFD: o cidadão paga o preço enquanto a “elite” viaja
O contraste fica ainda mais escandaloso ao comparar com o Tratamento Fora de Domicílio (TFD). A Prefeitura gasta milhões em passagens rodoviárias e aéreas para levar pacientes (muitos em situação grave) a Belém, Marabá e outros municípios, pois a saúde local não dá conta. Um único contrato com empresa de transporte rodoviário para TFD já superou R$ 234 mil em maio/junho.
Enquanto o povo depende de viagens emergenciais para exames, cirurgias e tratamentos que deveriam ser feitos localmente, secretários e assessores voam com conforto para eventos políticos e capacitações. A mensagem é clara: para o cidadão comum, fila, espera e sofrimento; para a máquina pública, diárias generosas e passagens sem limite aparente.
Até quando, prefeito Aurélio Goiano? A cidade arrecada centenas de milhões com mineração, mas entrega buracos, lama, esgoto exposto e uma saúde que empurra doentes para fora. As viagens luxuosas de servidores e aliados não constroem asfalto, não tapam buracos e não resolvem a drenagem. É priorização errada: farra de quem já tem salário em dia versus descaso com quem paga imposto e sofre diariamente.
A população de Parauapebas, que convive com ruas intransitáveis e problemas básicos ignorados, merece explicações. Transparência nos gastos é essencial, mas mais urgente é o fim dessa farra. O dinheiro público não é para turismo disfarçado de “agenda institucional”. É para resolver os problemas reais da cidade.
Parauapebas clama por resultados, não por mais viagens. Quantos leitos, quantos km de asfalto e quantos metros de rede de esgoto foram sacrificados por essas diárias e passagens? A Prefeitura precisa prestar contas e priorizar o básico. O povo está de olho.

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