O prefeito Aurélio Goiano insiste em usar redes sociais para repetir que Parauapebas estaria “quebrada” ou refém da queda dos repasses da mineração. O problema é que o discurso não fecha com os dados oficiais. A arrecadação municipal segue robusta e vai muito além da CFEM (royalties da mineração). Quando as entregas não aparecem, a narrativa da crise vira muleta.
O que mostram os números
Relatório oficial de receitas da Prefeitura indica que apenas em janeiro de 2026 o município arrecadou R$ 175.870.670,87.
A composição revela uma base diversificada:
- Transferências federais (FPM): R$ 6,6 milhões (cota mensal).
- ICMS (cota-parte estadual): R$ 717 mil.
- IPVA (cota-parte): R$ 125 mil.
- ISS (Imposto Sobre Serviços): entradas contínuas de PF, PJ, Simples Nacional e retenções na fonte, somando centenas de milhares de reais no período.
- IPTU e ITBI: arrecadação diária com imposto predial e transmissão de imóveis.
- Taxas de fiscalização (TLPL, licenças, vigilância sanitária e ambiental): milhões arrecadados no mês.
- Saúde (transferências do SUS): repasses regulares para média e alta complexidade e vigilância em saúde.
Ou seja: o caixa municipal não depende só da mineração. Há impostos próprios, taxas, transferências constitucionais e recursos carimbados que entram todo mês.
Então, qual é o problema?
Quando uma cidade com essa arrecadação não entrega obras no ritmo esperado, culpar “queda de repasses” vira cortina de fumaça. A discussão real é gestão, prioridade e execução. Se o dinheiro entra, cadê os resultados compatíveis com a receita?
Parauapebas arrecada muito. O cidadão sente pouco. E enquanto o prefeito insiste no discurso de terra arrasada, os números oficiais seguem desmontando a narrativa. O debate precisa sair do post e ir para a planilha — e, principalmente, para a rua, em forma de obra entregue.

Veja a Lista de receitas orçamentárias arrecadadas em janeiro de 2026
Estados com arrecadação mensal aproximada de R$ 175 milhões
(valores médios, variam por mês)
- Amapá – gira em torno de R$ 200 a 300 milhões/mês
- Roraima – cerca de R$ 180 a 250 milhões/mês
- Acre – média próxima de R$ 220 a 300 milhões/mês
- Tocantins – em meses fracos pode cair para R$ 250 a 350 milhões/mês
- Rondônia – costuma variar entre R$ 300 e 450 milhões/mês
Comparação que incomoda
👉 Parauapebas, sozinha, arrecadou R$ 175,8 milhões em apenas um mês.
👉 Isso coloca o município no mesmo patamar mensal de arrecadação de estados inteiros pequenos.
- Não é “queda de mineração”.
- Não é “cidade quebrada”.
- É gestão que não entrega proporcionalmente ao que arrecada.



