O prefeito Aurélio Goiano (Avante) iniciou seu segundo ano de mandato com uma medida que soa mais como uma manobra tardia do que como um ato de integridade administrativa: a extinção da Secretaria Especial de Governo (SEGOV) e a exoneração de sua própria irmã, Natália Oliveira, que ocupava o cargo de secretária. Anunciada em 6 de janeiro durante uma entrevista no programa “Fala Cidade”, a decisão cumpre uma promessa de campanha de “enterrar a SEGOV”, mas chega apenas após um ano inteiro de operação da pasta, período em que milhões de reais dos cofres públicos foram consumidos sem resultados visíveis para a população.
A SEGOV, criada em administrações anteriores e criticada por opositores como um cabide de empregos políticos, recebeu um orçamento de R$ 41 milhões para o exercício de 2025.No entanto, dados do Portal da Transparência revelam que a pasta movimentou mais de R$ 24 milhões ao longo do ano, recursos que, segundo críticos, foram destinados a atividades nebulosas sem impacto concreto na vida dos cidadãos de Parauapebas.
O que exatamente foi feito com esse dinheiro? A população luta para identificar ações relevantes, como obras, programas sociais ou melhorias administrativas atribuídas à SEGOV durante o mandato inicial de Goiano.
A medida tem mais cara de jogada política para se esquivar de responsabilidades do que de reforma administrativa sincera. Especialmente porque, durante todo o ano de 2025, a Segov esteve ativa enquanto a gestão arrecadou e comprometeu recursos consideráveis, sem que a população tenha visto resultados claros proporcionais ao orçamento previsto.
Enquanto Goiano celebra o “cumprimento de promessa”, a população de Parauapebas questiona: quantos milhões mais precisarão ser gastos antes que o prefeito priorize transparência e eficiência? A extinção da SEGOV pode ser um passo positivo, mas chega tarde demais para apagar as sombras de um ano perdido em suspeitas de favoritismo e má gestão.





