Aurélio Goiano trai eleitorado e entrega secretarias a vereadores

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O discurso de campanha ficou para trás. O prefeito Aurélio Goiano, que garantiu que não iria “lotear” a prefeitura entre vereadores, agora faz exatamente o oposto: abriu espaço para indicações políticas no primeiro escalão e entregou áreas estratégicas da administração municipal para aliados da Câmara.

A mudança ficou escancarada após a publicação de uma sequência de exonerações e nomeações no Diário Oficial. Secretarias importantes como Semas, Sempror, Prosap e Saaep passaram por trocas que, nos bastidores, são atribuídas diretamente à influência de vereadores.

Na prática, o que se vê é um redesenho completo da máquina pública, não com base em critérios técnicos, mas em articulação política para garantir sustentação dentro da Câmara Municipal.

Nos bastidores, as trocas são atribuídas diretamente à entrada de parlamentares na composição do governo. Nomes como Laércio da ACT, Graciele Brito, Michel Carteiro e Leandro do Chiquito teriam influência direta nas nomeações. Entre os principais movimentos:

•  Na Semas, sai Neil Armstrong da Silva Soares e entra Renato Aguiar dos Santos — que coordenou a campanha e até recentemente era chefe de gabinete da vereadora Graciele Brito.

•  Na Sempror, Eder Ramiro da Silva é substituído por Regis Lopes Gonçalves Ferreira, com Cleudes José de Almeida na adjunta, ambos ligados a Laércio.

•  No Prosap, Thiago Oliveira Batista dá lugar a Gerfleson Oliveira, com Natanael Conceição Barros Júnior na adjunta, indicados por Michel Carteiro.

•  No Saaep, Erikson Nunes é substituído por Nilton Lima da Silva, cortesia de Leandro do Chiquito.

Além disso, houve alterações em Gabinete, Procuradoria, Sefaz, Semed e outras funções de assessoramento. A estratégia parece clara: fortalecer a base aliada na Câmara Municipal, ampliando o espaço político dentro da máquina administrativa.

Vereadores que nunca fiscalizaram agora mandam em contratos da prefeitura de Parauapebas

A lógica é simples: vereadores que deveriam fiscalizar passam a indicar, e quem indica passa a ter interesse direto na gestão. O resultado? Fiscalização enfraquecida e controle político ampliado sobre contratos e decisões administrativas.

Enquanto a prefeitura vira moeda de troca política, a cidade segue abandonada. Buracos se multiplicam, ruas continuam deterioradas e a população convive diariamente com infraestrutura precária.

O contraste é gritante: de um lado, uma gestão que reorganiza cargos para garantir apoio político; do outro, uma população que esperava mudança e continua enfrentando os mesmos problemas — ou até piores.

Aurélio Goiano, que se elegeu com discurso de ruptura, hoje repete o mesmo modelo que criticava. A diferença é que agora a conta chegou mais rápido.

O movimento deixa claro que a prioridade da gestão passou a ser a sustentação política, não a entrega de resultados. E isso tem consequência direta: quando vereadores entram no governo, quem perde é a independência do Legislativo — e quem paga a conta é o cidadão.

No fim, a promessa de mudança virou mais do mesmo. E a população, que acreditou no discurso, segue desviando de crateras enquanto assiste a prefeitura virar um balcão político.

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