Em campanha, Aurélio Goiano vendeu a imagem de gestor que colocaria ordem na casa em Parauapebas. Uma das promessas mais repetidas era clara: realizar um concurso público por ano durante o mandato — ou seja, quatro certames em quatro anos — para reduzir a dependência de contratos temporários e dar oportunidade real aos concurseiros.
Pouco mais de um ano depois de assumir a Prefeitura, a realidade é bem diferente. Documentos oficiais do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado do Pará (TCM-PA) revelam que o que era para ser transparência virou notificação judicial.
Suspensões, cancelamentos e mais PSS
Na Informação Técnica nº 261/2026/1ª Controladoria/TCM-PA, a equipe técnica do Tribunal registra que os Processos Seletivos Simplificados (PSS) 1 e 2 foram suspensos por recomendação do Ministério Público (4ª PJ de Parauapebas) e posteriormente cancelados. O motivo? Irregularidades que levaram ao descumprimento do prazo pactuado no TAG nº 001/2025/TCM-PA. O prefeito apresentou um novo cronograma, mas o cenário encontrado pela fiscalização foi outro: tentativas de alinhar prazos com a INBRASP que não vingaram.
Em 14 de maio de 2026, a conselheira Ann Pontes expediu a Notificação nº 170/2026, dando 15 dias para Aurélio Ramos apresentar justificativas sobre os apontamentos da Informação Técnica. O tom é duro: o não atendimento configurará “irregularidade grave”, com risco de medidas fiscalizatórias, cautelares, sanções e até multa diária.
Promessa de campanha vira letra morta
Enquanto o TCM cobra cumprimento de acordo para regularizar a folha de pagamento e realizar concurso, a gestão opta pelo caminho mais fácil: Processos Seletivos Simplificados (PSS) — contratos temporários que, na prática, servem para manter o controle político sobre contratações sem a rigidez de um concurso. Isso contraria diretamente o discurso de campanha e o próprio TAG firmado com o Tribunal.
Em entrevista recente, o prefeito teria sinalizado que não haveria concurso no primeiro semestre de 2026, optando por PSS — declaração que gerou revolta entre concurseiros e opositores, que veem nisso o descumprimento explícito da promessa de “um concurso por ano”.
Parauapebas, município com um dos maiores orçamentos do interior do Pará, continua com quadro inflado de temporários e comissionados, enquanto milhares de cidadãos esperam uma chance justa via concurso. O prefeito que posava de “doido” por mudanças agora enfrenta o risco concreto de sanções do órgão de controle externo por não cumprir o que ele mesmo assinou.
A população e os concurseiros de Parauapebas merecem respostas claras: onde está o concurso prometido? Ou a “nova política” pregada em campanha se resume a mais do mesmo — PSS, prorrogações e notificação do TCM? O relógio corre e a multa diária também.



