Mais um escândalo de abuso de autoridade e assédio moral mancha a gestão do prefeito Aurélio Goiano. Um boletim de ocorrência registrado na 20ª Seccional da Polícia Civil, em 29 de maio de 2026, formaliza graves denúncias contra o secretário adjunto José Danilo Santana Pereira, acusado de interferir ilegalmente na Secretaria de Meio Ambiente e perseguir servidores que resistem a ordens manifestamente irregulares.
De acordo com o relato registrado, o secretário adjunto vem sistematicamente tentando controlar as ações de fiscalização ambiental, direcionando vistorias conforme “seus interesses pessoais”, em clara violação aos princípios da impessoalidade, legalidade e moralidade administrativa. Para exercer esse controle, retirou o veículo oficial utilizado pela equipe de fiscalização, praticamente paralisando as atividades de campo. As operações passaram a depender de sua “autorização pessoal”, enfraquecendo um dos setores mais importantes para o controle ambiental de um município que historicamente sofre com garimpo ilegal, desmatamento e pressão sobre o meio ambiente.
O ponto mais grave foi a remoção forçada do coordenador da fiscalização ambiental — um fiscal de Controle Ambiental efetivo há 15 anos — para o PROCON, medida vista pelos servidores como clara retaliação. O servidor teria se recusado a cumprir ordens ilegais. Em vez de fortalecer o departamento, que acumula demandas e tem pedidos de contratação tramitando, a gestão optou por retirar um profissional experiente de suas funções técnicas e colocá-lo em atividade sem qualquer relação com sua qualificação.
Como destaca o denunciante, não existe “interesse público” em deixar a fiscalização ambiental sem veículo, sem autonomia e sem coordenador. Ao contrário: o interesse público exige exatamente o oposto — um órgão técnico forte, independente e aparelhado para cumprir sua missão.
A situação tem gerado um clima de terror psicológico no departamento. Servidores relatam coação constante, crises de ansiedade e problemas de saúde decorrentes do ambiente de intimidação instalado pela cúpula da pasta.
Responsabilidade direta da gestão Aurélio Goiano
É impossível dissociar esses fatos da gestão do prefeito Aurélio Goiano. Secretários e adjuntos são nomeados pelo chefe do Executivo e respondem politicamente a ele. Permitir que um auxiliar use a máquina pública para perseguição, desmonte de estruturas técnicas e satisfação de interesses particulares revela grave falha de comando e total desprezo pelos princípios republicanos.
Em um município como Parauapebas, que convive com enormes desafios ambientais, desmontar a fiscalização não é apenas um erro administrativo — é um crime contra a cidade e contra o futuro. Priorizar lealdade pessoal em detrimento da técnica e da lei demonstra o nível de aparelhamento que a atual administração impôs à estrutura municipal.
A Polícia Civil já tem o caso em mãos. Resta agora saber se o Ministério Público do Pará vai agir com a celeridade que o caso exige, identificando não apenas o secretário adjunto, mas toda a cadeia de comando que permitiu — ou incentivou — esse tipo de prática.
Enquanto isso, a população de Parauapebas assiste ao desmonte de um setor essencial sob o silêncio cúmplice da gestão Aurélio Goiano. Mais um capítulo triste da triste história de como o poder público, quando mal exercido, vira instrumento de perseguição e retrocesso.




