Enquanto os cofres públicos de Parauapebas seguem recebendo cifras astronômicas, a realidade nas ruas da “Capital do Minério” contrasta severamente com a saúde financeira do município. No mês de fevereiro de 2026, a prefeitura registrou uma arrecadação total de R$ 189.748.586,10. Apesar do montante expressivo, a gestão do prefeito Aurélio Goiano permanece limitada a serviços paliativos, deixando questões crônicas da cidade sem solução.
A robustez financeira do município impressiona quando observamos o histórico recente: em 2025, a prefeitura fechou o ano com uma arrecadação de R$ 2.471.199.128,19. O ritmo acelerado continua no exercício atual, visto que, apenas nos primeiros meses de 2026, o montante acumulado já atinge a marca de R$ 416.452.387,87. Esses números reforçam que o problema da cidade não é a falta de recursos, mas sim a eficiência na aplicação desse capital em benefício da população.
O Raio-X da Arrecadação em Fevereiro
O desempenho financeiro do mês foi impulsionado por transferências constitucionais e tributos locais. Apenas em um único dia (10/02), o município recebeu mais de R$ 12,1 milhões referentes à cota-mensal do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
O detalhamento por setor e principais fontes de receita demonstra a força econômica de Parauapebas:
- Transferências da União e Estado: O FPM somou repasses significativos, como os R$ 12.151.314,81 registrados em 10 de fevereiro. Outro destaque foi a Cota-Parte do ICMS, que em apenas um lançamento no dia 19 de fevereiro aportou R$ 5.239.809,36. Além disso, a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) registrou cerca de R$ 42,95 milhões.
- Impostos e Taxas Locais: A arrecadação própria também foi robusta. O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) apresentou diversos lançamentos, incluindo valores expressivos como os R$ 38.740,49 no final do mês. As taxas de fiscalização (TLPL) e o IPTU, com entradas como a de R$ 45.822,51 no dia 27, também encorparam o caixa.
- Educação e Saúde: O FUNDEB registrou rendimentos de aplicação na ordem de R$ 163.214,30, enquanto o Fundo Municipal de Saúde recebeu repasses para serviços como o SAMU (R$ 87.246,25).
A Ineficiência que o Dinheiro não Esconde
Mesmo com quase R$ 190 milhões entrando em caixa em apenas um mês, a população questiona onde o recurso está sendo aplicado. O que se vê em Parauapebas hoje é uma gestão de “maquiagem”. O governo Aurélio Goiano tem se limitado a serviços de zeladoria básica — como poda de árvores e limpeza — em pontos isolados da cidade, o que é insuficiente para um orçamento deste porte.
O descaso é visível na infraestrutura básica. Até o momento, nenhum bairro da cidade teve seus problemas históricos de esgoto resolvidos de forma definitiva. O saneamento continua sendo uma promessa distante, enquanto o mau cheiro e os detritos a céu aberto castigam os moradores.
A precariedade se estende ao asfalto. As poucas intervenções realizadas pelo governo, baseadas no modelo de “tapa-buraco”, mostram-se de baixa qualidade e vida útil curtíssima: em diversas ruas, o serviço feito recentemente já está se desfazendo, expondo novamente as crateras e colocando em risco a segurança de motoristas e pedestres.
Com uma arrecadação que coloca Parauapebas entre as cidades mais ricas do país, a ausência de obras estruturantes e a falta de resultados visíveis sugerem uma falha grave de planejamento ou de prioridades na atual administração. O povo paga a conta, o dinheiro entra, mas a transformação prometida por Aurélio Goiano ainda não saiu do papel.


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