Empresa ligada a organização criminosa executa obra do Parque do Mirante, que já custou R$ 57 milhões aos cofres de Canaã dos Carajás

Facebook
WhatsApp

A Prefeitura de Canaã dos Carajás, sob a gestão da prefeita Josemira Gadelha, já destinou mais de R$ 57 milhões ao Parque do Mirante, no Morro das Antenas — uma obra de forte apelo visual e turístico que, apesar dos valores já pagos, não aparenta sequer 30% de execução física.(Veja a matéria completa sobre os gastos na obra do Parque do Mirante aqui)

A obra é executada pela Gonçalves e Dias Engenharia Ltda, empresa que aparece diretamente citada em denúncia formal do GAECO por envolvimento em organização criminosa especializada em fraudes em licitações, medições fraudulentas e pagamento de propina a agentes públicos, conforme documentos do Ministério Público do Estado do Pará.

Placas oficiais e números que não fecham

As próprias placas instaladas no canteiro do Morro das Antenas informam:

  • Construção do Parque do Mirante – Etapa Trilha do Mirante
    Valor contratado: R$ 25.795.000,00
    Empresa: Gonçalves e Dias Engenharia Ltda
  • Serviços Complementares – Trilha do Mirante
    Valor contratado: R$ 17.232.000,00
    Empresa: Gonçalves e Dias Engenharia Ltda

Somadas, as etapas anunciadas chegam a R$ 43.027.000,00.
Mas os dados oficiais de execução orçamentária mostram outra realidade:

  • 2024: R$ 14.915.154,77 pagos
  • 2025: R$ 43.025.224,55 pagos

👉 Total já pago: mais de R$ 57 milhões, superando em muito os valores divulgados nas placas da obra.

Empresa citada em esquema criminoso

Segundo a denúncia do GAECO, a empresa Gonçalves e Dias Engenharia integra o núcleo empresarial de uma organização criminosa que atua no município direcionando licitações, fraudando contratos e realizando medições fictícias para desvio de recursos públicos.

Os autos descrevem pagamentos milionários, anotações manuscritas de repasses ilícitos, vínculos com agentes públicos e contratos vencidos sem concorrência real — práticas que colocam sob suspeita diversas grandes obras executadas no município, incluindo projetos turísticos e estruturais.

Impacto ambiental ignorado, problemas básicos seguem

O Parque do Mirante está sendo implantado em uma área ambientalmente sensível, com supressão vegetal em larga escala, alteração da drenagem natural, risco de erosão e prejuízos à fauna local. O projeto prioriza concreto, trilhas artificiais e paisagismo de alto custo — um cenário incompatível com a realidade de bairros que seguem enfrentando:

  • Falta de água por dias ou semanas
  • Ruas sem pavimentação adequada
  • Investimentos insuficientes em saneamento básico

A escolha política é evidente: marketing urbano e obra de vitrine, enquanto demandas essenciais continuam sem solução.

Projeto eleitoral e manutenção do mesmo esquema

A situação ganha contornos ainda mais graves quando se observa o contexto político. O secretário municipal de Obras, Eugênio Gadelha, esposo da prefeita, já articula candidatura a deputado estadual pela Assembleia Legislativa do Pará (ALEPA).

Mesmo com a denúncia do GAECO, a gestão mantém contratos milionários com empresas apontadas como integrantes de organização criminosa, sem qualquer sinal público de revisão, suspensão ou auditoria independente.

Na prática, a obra do Mirante deixa de ser apenas um projeto turístico e passa a simbolizar algo maior:
a continuidade de um modelo de gestão que concentra recursos públicos em obras de impacto visual, executadas por empresas sob suspeita, enquanto constrói capital político para projetos eleitorais futuros.

Em uma cidade bilionária graças à mineração, o Morro das Antenas não representa progresso — representa prioridade distorcida, risco institucional e desprezo pelo básico.

Fonte: Portal de transparência e Denúncia do GAECO/MPPA (Procedimento Investigatório Criminal – Canaã dos Carajás)

Nos acompanhe no WhatsApp

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Siga o Canal PBS nas Redes