Congresso corta R$ 500 milhões da Farmácia Popular e aprova salários de até R$ 77 mil para servidores

Facebook
WhatsApp

O Orçamento da União de 2026, aprovado pelo Congresso Nacional, escancarou uma inversão de prioridades: enquanto programas sociais e ações de saúde pública sofreram cortes relevantes, a Câmara dos Deputados avançou com medidas que ampliam a remuneração de seus próprios servidores — com salários que podem chegar a R$ 77 mil mensais.

No entanto, para equilibrar as contas, o governo optou por cortes drásticos em programas sociais essenciais, afetando diretamente a saúde e a educação da população mais vulnerável. Programas como o Farmácia Popular e o Pé-de-Meia foram os principais alvos, com reduções que somam cerca de R$ 1 bilhão, contrastando com o aumento de verbas para benefícios políticos. 

O Farmácia Popular, programa que garante medicamentos gratuitos ou com desconto para doenças crônicas, sofreu um corte de R$ 500 milhões.  Essa redução ocorre em um momento crítico, com a inflação nos preços de remédios em alta, deixando milhões de brasileiros de baixa renda ainda mais expostos a riscos de saúde.

O programa, criado para democratizar o acesso à saúde, agora enfrenta limitações que podem comprometer o tratamento de hipertensão, diabetes e outras condições prevalentes na população idosa e carente.

Outros cortes incluem R$ 500 milhões no Pé-de-Meia, iniciativa educacional que cria poupanças para estudantes do ensino médio, e R$ 300 milhões em bolsas da Capes para formação de professores. Além disso, o Auxílio Gás teve sua verba diminuída em R$ 400 milhões, agravando a vulnerabilidade de famílias em situação de pobreza.  

No campo da saúde preventiva, outra decisão polêmica reforçou o cenário de restrição. A vacina contra herpes-zóster, recomendada para idosos e pessoas com imunidade comprometida, não foi incorporada ao calendário do SUS após análise técnica que apontou impacto orçamentário elevado.

O custo estimado anual é de cerca de R$ 1,2 bilhão — valor considerado alto pelo governo, apesar de representar uma fração mínima do orçamento federal. Na prática, a decisão mantém o imunizante restrito à rede privada, onde o esquema completo pode ultrapassar R$ 2 mil, excluindo grande parte da população.

Pior ainda é o timing: na sessão de terça-feira (3), a Câmara dos Deputados aprovou o primeiro projeto de aumento salarial para seus servidores, incluindo reajustes de até 9,25% para efetivos e 8,63% para cargos de confiança, além de gratificações de desempenho que podem chegar a 100% do vencimento básico. 

O Projeto de Lei 179/26, aprovado simbolicamente após acordo entre líderes, abre brechas para remunerações acima do teto constitucional de R$ 46.366,19, com impacto anual de R$ 500 milhões só para a Câmara. Semelhante medida foi estendida ao Senado via PL 6.070/25, totalizando custos extras de R$ 700 milhões anuais. 

Enquanto idosos lutam por vacinas e remédios acessíveis, servidores do Congresso ganham licenças remuneradas convertíveis em dinheiro e penduricalhos que elevam salários a até R$ 77 mil mensais. 

Essa discrepância revela prioridades distorcidas: emendas parlamentares e salários inflados prosperam, enquanto programas que atendem milhões são esvaziados. O governo Lula, que se elegeu prometendo inclusão social, agora parece ceder ao corporativismo, sacrificando o bem-estar coletivo em nome de um superávit que beneficia poucos.

O Orçamento 2026 consolida uma escolha política clara: menos recursos para remédios acessíveis, educação e proteção social; mais garantias para a máquina pública e seus privilégios. Em um país com filas no SUS, dificuldade de acesso a medicamentos e aumento do custo de vida, o recado é direto — o sacrifício não é dividido igualmente.

Nos acompanhe no WhatsApp

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Siga o Canal PBS nas Redes