Em mais um capítulo lamentável de omissão e proteção ao Executivo, a Câmara Municipal de Parauapebas rejeitou, nesta terça-feira (23), o Requerimento nº 251/2026, de autoria do vereador Zé do Bode (União Brasil). A proposta buscava convocar o secretário municipal de Saúde, Jandson Rodrigues, para prestar esclarecimentos urgentes sobre a grave situação da assistência materno-infantil no município, incluindo os óbitos maternos e neonatais registrados em 2025 e 2026, a ausência de leitos de UTI Neonatal e o descaso com a implantação de 10 leitos prometidos no Hospital Geral de Parauapebas (HGP).
Nove vereadores votaram contra a convocação, impedindo que a população e as famílias enlutadas obtivessem respostas sobre um dos temas mais sensíveis da saúde pública local. Os parlamentares que se posicionaram contra o requerimento foram: Alex Ohana (PDT), Laécio da ACT (PDT), Zé da Lata (Avante), Elias da Construforte (PV), Léo Márcio (Solidariedade), Francisco Eloécio (PSDB), Sadisvan Pereira (PRD), Sargento Nogueira (Avante) e Leandro Chiquito (Solidariedade).

Com essa decisão, o plenário da Câmara fechou as portas para a transparência. O requerimento questionava pontos críticos: o cumprimento de decisões judiciais para a implantação da UTI Neonatal, a aquisição de equipamentos, a contratação de profissionais especializados, a aplicação de recursos públicos destinados à assistência materno-infantil e os dados de transferências de gestantes e recém-nascidos para outros municípios devido à inexistência de leitos adequados em Parauapebas.
Na justificativa, Zé do Bode argumentou que a convocação tinha caráter fiscalizatório e visava garantir transparência sobre as ações da Secretaria Municipal de Saúde. No entanto, a maioria dos vereadores optou por blindar a gestão, ignorando a dor das famílias que perderam filhos recém-nascidos e a urgência de explicações sobre o descaso com a saúde materna e infantil em um município que arrecada centenas de milhões de reais com a mineração.
“População, grave bem esses nomes. Quem vota contra esclarecimentos demonstra falta de respeito com as famílias e com toda a sociedade. Uma vergonha!”, destacou o autor do requerimento.
Essa rejeição reforça o padrão de uma Câmara que, em vez de exercer seu papel constitucional de fiscalização do Executivo, age como escudo protetor da administração municipal. Enquanto famílias choram a perda de bebês e gestantes enfrentam riscos desnecessários por falta de estrutura, nove vereadores decidiram que o secretário de Saúde não precisa prestar contas. Até quando o Legislativo de Parauapebas vai priorizar a defesa do prefeito Aurélio Goiano em detrimento da vida e da saúde da população?
A sociedade parauapebense merece respostas. Os óbitos maternos e neonatais não são mera estatística — são vidas interrompidas pelo descaso. A população cobra fiscalização efetiva e não conivência.




Respostas de 2
Não acho que seja errado a convocação, para melhires esclarecimentos,mas tbm vejo que ele secretário e somente o responsável para dirrigir as unidades de saúde assim como o hospital, mas ele tem uma chefia geral., assim como qualquer funcionario público, é e óbvio que no meu ver é esta chefia que deve dar as devidas explicações.
Engraçado no mandato passado tem vereador votou várias vezes contra secretario ir a câmara justificar qualquer coisa.